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Mensagens

Promoções e desconsiderações

A promoção de Armando Vara, concedida pela Caixa Geral de Depósitos, já depois do actual vice-presidente do BCP ter cessado funções, é sintomático da degradação do sistema político português. A notícia do Público mostra claramente a desconsideração pelo país por parte de quem já desempenhou funções públicas. Numa altura em que se assiste ao mais claro desprezo pela classe média, em que se verificam almofadas para as instituições financeiras se sentirem mais confortáveis, são estas situações que não são compagináveis com a consolidação da democracia.

Com efeito, a promiscuidade entre políticos e mundo dos negócios é cada vez mais evidente, tanto mais que há nem há pudor em disfarçar essa promiscuidade. De igual forma, a existência de sistemas criados apenas para conceder benesses às direcções de instituições financeiras já era discutido até antes da crise. Mas é a crise que veio e vem revelar a ganância, a obtusidade e a condição privilegiada de quem ocupava cargos de direcção comparati…

O passado e o futuro no conflito israelo-palestiniano

A discussão sobre o conflito israelo-palestiniano tem vindo a ser minada por um ostensivo regresso ao passado. Discute-se qual das partes da contenda encontra maior legitimidade; quem esteve primeiro no território que se desdobra hoje em Israel e nos territórios palestinianos; quem esteve durante um maior período de tempo nesse território, a quem pertence partes isoladas da região. O problema desta discussão é que nos distancia do essencial e, além disso, a História da região é de tal maneira intrincada que se ajusta à visão que cada um tem do assunto.

Assim, os israelitas recordam a chegada das primeiras tribos hebraicas; lembram o tempo de David e Salomão e a cidade de Jerusálem como capital; evocam a ocupação Romana a consequente expulsão dos Judeus (grande diáspora). Já para não falar de conceitos mais vagos, como o da Terra Prometida. O povo palestiniano e os seus fervorosos apoiantes lembram que em 638 chegam os primeiros árabes muçulmanos e a sua permanência e domínio perduraram…

O extremismo na análise do conflito israelo-palestiniano

O conflito israelo-palestiniano, a par de outros conflitos, é caracterizado pelo extremismo de ambas as partes. Mas esse extremismo não se cinge apenas ao conflito propriamente dito, alastrando também às opiniões, análises e posições que são adoptadas por quem discute este intrincado assunto. Consequentemente, ou se é defensor irredutível da posição palestiniana ou se é pro-israelita. Esta radicalização de posições em nada tem ajudado na resolução do problema. A actual incursão israelita na Faixa de Gaza é mais uma oportunidade para assistirmos à digladiação de todo o tipo de argumentos sustentando a posição israelita ou a posição palestiniana. A própria comunidade internacional, com os Estados Unidos à cabeça, tem despendido mais tempo a criticar ou a apoiar um dos lados, do que tem contribuído para um entendimento na região. O mesmo se passa com grande parte dos países vizinhos de Israel. O problema da radicalização de posições é a cegueira a que a mesma conduz. Senão vejamos, as op…

Recessão

As previsões do Banco de Portugal (BdP) apontam para um período extenso de recessão, não se prevendo melhorias significativas até 2010. Por outro lado, e num registo mais animador, o BdP enuncia alguns aumentos no rendimento disponível das famílias, pelo menos daquelas que conseguirem manter os seus postos de trabalho. Esses aumentos são consequência de uma baixa da inflação e de uma redução progressiva das taxas de juro.

As previsões do BdP deixam cair por terra todas as ilusões criadas pelo Governo de José Sócrates que demorou muito tempo a admitir que a situação económica era manifestamente difícil. E mesmo que o Chefe de Governo pretendesse manter algum optimismo, isso não inviabiliza a tomada de consciência da realidade. Tomada de consciência essa que é fundamental para nos preparamos para o futuro.

Quanto ao ano que agora se inicia, as previsões são de facto pessimistas. O maior problema - e pelo menos quanto a isto já há consensos - é, indubitavelmente, o emprego. Seria irrealist…

Primeiro-ministro e a crise

O primeiro-ministro tem tido uma relação muito peculiar com a crise. Quando a mesma começou a dar os seus primeiros sinais, José Sócrates foi exímio na tarefa de desvalorização, posteriormente adoptou uma postura mais contida, não deixando, contudo, de manifestar o seu relativo optimismo perante os impactos da crise. Hoje, a postura do primeiro-ministro mudou: já admite cenários mais complexos, como o de uma recessão e não esconde as enormes desafios com que o país se depara.

A admissão de um cenário de recessão foi dado numa entrevista televisiva. Lamenta-se, porém, alguma demora, em particular no princípio do ano de 2008 quando o subprime já era uma realidade incontornável, do Executivo em reconhecer a gravidade da situação. Além disso, o último Orçamento de Estado pautou-se pelo irrealismo, transformando uma rectificação numa inevitabilidade.

É claro que se exige do primeiro-ministro algum optimismo, mas também alguma contenção nesse optimismo, e, fundamentalmente muito realismo. Num…

Necessidade de um cessar-fogo

A guerra que regressou ao Médio Oriente, designadamente à Faixa de Gaza, não pode continuar, sob pena de se agudizar os profundos antagonismos que caracterizam a região. Embora não haja registos, nos últimos anos, de verdadeiros progressos rumo à paz, a perpetuação do conflito que opõe Israel ao Hamas resulta inevitavelmente num agravamento da instabilidade, inviabilizando qualquer processo de paz.

A situação que se está a viver nesta parte do Médio Oriente é de grande complexidade, e nada ajuda o extremar de posições, apoiando intransigentemente o lado palestiniano ou o lado israelita. Infelizmente é precisamente isto que está a acontecer. Deste modo, a ofensiva israelita tem o seu fundamento: os ostensivos ataques ao território israelita, levados a cabo pelo Hamas acabariam, mais cedo ou mais tarde, por merecer uma resposta israelita. Todavia, as consequências dessa resposta, em particular se a mesma se traduzir numa verdadeira guerra, poderão ser contraproducentes. Ao invés de se co…

Guerra no Médio Oriente

Vive-se um clima de guerra na Faixa de Gaza e em Israel, guerra que se poderá intensificar nos próximos dias. Os líderes mundiais dividem-se entre aqueles que apoiam e defendem a posição de Israel e outros que criticam severamente essas mesmas posições. O problema não pode ser colocado assim de forma tão redutora.

Com efeito, Israel está a responder às constantes provocações do Hamas que domina a Faixa de Gaza, sob a forma de lançamento de rockets para território israelita. E desse ponto de vista, encontra-se na decisão israelita fundamento e legitimidade, pese embora esta decisão de atacar Gaza tenha também um contexto manifestamente político (política interna israelita).

Por outro lado, não é possível fazer fé em qualquer processo de paz enquanto o Hamas estiver na linha da frente com o apoio do povo palestiniano. A simples existência do Hamas inviabiliza a futura existência do Estado Palestiniano. Israel, independentemente do Governo que estiver à frente dos destinos do país, não vai…