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Mensagens

Grécia a ferro e fogo

A Grécia vive tempos manifestamente conturbados. A origem da violência que eclodiu neste país da União Europeia está longe de estar apenas relacionada com a morte de um jovem pela polícia. Ora, o descontentamento quer com o Governo, quer o descontentamento com a situação que se vive na Grécia, à semelhança do que se vive noutros países, são elementos fundamentais para se perceber a origem da violência e da anarquia. Pese embora se saiba que a Grécia tem as últimas décadas marcadas pelos protestos, em particular durante o tempo em que vigorava uma ditadura militar.
Paralelamente, não deixa de ser curioso assistir a episódios que nos remetem para a anarquia precisamente no berço da democracia. A forma encontrada para mostrar o descontentamento não foi claramente a mais indicada. As cenas de incêndios, de batalha campal com a polícia, a par da destruição de propriedade privada não são compagináveis com o conceito de democracia. Aliás, a situação já é tão preocupante que muitos países já e…

Crise e democracia

Portugal atravessa um período em que se cruzam crises de natureza diversa, mas com ligações profundas entre si: o país já atravessava uma crise económica há quase uma década a que se junta agora uma crise internacional de contornos inauditos; mas o país atravessa também outro tipo de crises, designadamente uma crise moral e de confiança. Os casos do BPN e do BPP vêm por a nu essas mesmas crises que, de facto, contribuem para a fragilização da própria democracia. Com efeito, a consolidação democrática é um processo contínuo e que se torna mais sólido quando os cidadãos confiam nas instituições democráticas. Em Portugal essa confiança tem vindo a sofrer uma preocupante deterioração. Senão vejamos: há uma dificuldade acentuada em confiar numa parte da classe política – a Assembleia da República não é o órgão de prestígio que deveria ser, e a ausência de deputados numa importante votação (em véspera de fim-de-semana prolongado) é sintomática disso mesmo. De igual forma, a promiscuidade en…

Descida histórica da taxa de juro

O Banco Central Europeu baixou historicamente a taxa de referência, aproveitando a descida que se tem verificado da inflação e procurando revitalizar as economias da zona euro. A medida foi amplamente aplaudida e, de facto, constitui uma boa notícia para famílias e empresas.
A crise que teve início nos mercados financeiros e alastrou-se às economias reais não deixa margem de manobra para adoptar outras medidas que não passem pela descida progressiva das taxas de juro. Aliás, a generalidade dos bancos centrais adoptaram as mesmas medidas, alguns dos quais baixaram drasticamente a taxa de juro. Na zona euro vigora a ortodoxia que não permite ver para além de uma política monetária draconiana.
Em síntese, o BCE não tinha outra alternativa que não passasse pela baixa da taxa de referência. Num contexto de falta de liquidez, com as dificuldades que isso acarreta para a economia real, o alívio que uma baixa de juros proporciona às famílias e empresas é absolutamente necessária para dar uma no…

O optimismo do primeiro-ministro

O primeiro-ministro mostrou um optimismo que contrasta claramente com o realismo do ministro das Finanças. As declarações de José Sócrates não são propriamente surpreendentes. Afinal de contas, o primeiro-ministro de qualquer país não se pode juntar ao pessimismo reinante sob pena de agravar ainda mais a confiança que tem andando baixa. O problema nem está nas declarações optimistas de José Sócrates, mas na divergência entre essas declarações e as do ministro das Finanças.
Com efeito, o primeiro-ministro está a fazer o que é exigido nesta altura: mostrar aos portugueses que, paradoxalmente, há aspectos positivos na actual conjuntura económica. E com isso José Sócrates dá algum sinal de esperança às famílias e às empresas. A baixa das taxas de juro (ainda hoje está previsto um corte do BCE), a existência de uma inflação baixa e a descida acentuada no preço dos combustíveis são, de facto, boas notícias para todos. O grande problema da actual conjuntura é o emprego. E esse será a grande d…

Greve dos professores

Hoje há, entre outras greves, uma greve dos professores. O descontentamento desta classe profissional atingiu um nível provavelmente nunca visto. O impasse entre os sindicatos e o Ministério não dá sinais de abrandamento, e o país assiste a mais uma sucessão de episódios carregados de animosidade de ambas as partes, sem se vislumbrar um fim para a actual situação. Pelo meio anda um país deprimido e cansado.
De uma forma geral é díficil não compreender a posição dos professores, em particular se conseguirmos ultrapassar algumas ideias pre-concebidas que fazem escola neste país e, amiúde, certas frustrações pessoais. Nem que seja pela constante antagonização que esta classe profissional tem vindo a ser alvo nos últimos três anos, é legítimo compreender as razões que levam tantos professores a fazer greve e a protestar contra as políticas acéfalas do Governo.
Há anos que escrevo que o caminho a precorrer para melhorar a educação não passa pelo afastamento de um dos principais interveniente…

A força do PC

Realizou-se, no passado fim-de-semana, o congresso do PCP. Com efeito, não são só as sondagens que nos mostram um PCP mais forte do que aquilo a que nos tinha habituado nos últimos anos. De facto, o congresso deste fim-de-semana mostrou um partido em crescimento. De qualquer forma, cresce o PCP como tem crescido o Bloco de Esquerda, acompanhando o descontentamento dos cidadãos e o descrédito em alguma classe política, designadamente do PSD e do PS.
O congresso do partido mostrou também um PCP um pouco diferente do costume. O PCP deste congresso sublinhou a sua marca ideológica, deixando antever algum contentamento mal disfarçado com os males do capitalismo. Não deixa, porém, de ser curioso ver um partido ideologicamente falido regojizar-se com a suposta falência do actual modelo económico.
O PCP está mais forte porque cresceu em intenções de voto, mas também porque depois de décadas de frustrações e desilusões vê uma luzinha ao fundo do túnel - a possibilidade do capitalismo se destruir…

Terror em Bombaim

As últimas 48 horas na cidade de Bombaím têm sido marcadas pela violência e pelas incertezas. Mas importa procurar fazer uma análise o mais rigorosa possível, pese embora as incertezas sejam, neste momento, muitas. De facto as perguntas sucedem-se. Quem está por detrás da organização responsável pelos atentados? Quais foram as verdadeiras motivações? Há alguma ligação entre o grupo terrrorista em causa e a Al-Qaeda?
Existem contudo alguns elementos que nos permitem ficar mais perto da verdade. Em primeiro lugar, tudo indica que os responsáveis por este nível de violência são cidadãos de origem paquistanesa, o que nos permite ter mais algumas indicações sobre as motivações do grupo. Recorde-se a contenda que põe frente-a-frente, durante décadas, a Índia e o Paquistão e que dá notoriedade à região de Caxemira e que certamente será um elemento a considerar.
Em segundo lugar, não é possível dissociar esta questão do problema do Afeganistão e da por muitos considerada invasão americana. O Af…