Avançar para o conteúdo principal

Mensagens

Efeitos da crise internacional para o Governo

No dia em que é apresentado o Orçamento de Estado para 2009, importa reflectir sobre os efeitos que a crise internacional está a causar no Governo português. Importa também referir que o Executivo de José Sócrates está a lidar assertivamente com a crise financeira que se impõe e ainda vai impor mais nas vidas dos cidadãos. Concordando ou não com as políticas do Governo ao longo destes últimos três anos, a verdade é que o Governo tem lidado bem com a actual crise.
Quanto aos efeitos que esta crise pode causar no Governo, parece óbvio que esses efeitos poderão ser, paradoxalmente, positivo para as aspirações de José Sócrates, embora isso não aconteça pelas melhores razões. De facto, o país vive em crise há anos e, exceptuando a consolidação das contas públicas (com recurso ao aumento de receita) e a garantia de sustentabilidade da segurança social, o Executivo de José Sócrates não conseguiu ir mais além. A crise que já existia pode confundir-se agora com a crise internaciona…

Vai ficar tudo na mesma?

A crise financeira está confortavelmente a instalar-se na vida de todos nós, sem que possamos fazer muito para inverter a situação. À sensação de impotência junta-se uma inexorável dificuldade em perceber como é que possível que tudo isto esteja a acontecer, ainda para mais a uma velocidade estonteante, sem que ninguém saiba onde é que isto vai parar.
Uma pergunta que se impõe mais é a seguinte: será que vai ficar tudo na mesma? Ou será que as correcções que se impõe hoje, tal como se impunham no passado (pelo menos desde os anos 70 quando se começou a abandonar o sistema Bretton-woods)) vão, de facto, ser uma realidade.
Numa tentativa vã de responder a essa questão, a par da necessidade de compreender a crise, há quem regresse a Marx; apesar da importância de Marx, que não deve ser, de forma alguma, desprezada, eu prefiro recuar apenas algumas décadas, prefiro o regresso a James Tobin, prémio Nobel na década de 70, e mais conhecido por ser o responsável pela tax…

Islândia à beira da falência

Esta ilha habitada por pouco mais de 300 mil pessoas atravessa um período manifestamente complexo. A crise financeira que a Islândia atravessa é considerada como sendo a maior, e a palavra de ordem nos últimos dias tem sido “bancarrota”.
Com efeito, o endividamento à banca atingiu proporções insustentáveis e o crédito mal parado subiu desmesuradamente. E para se ter uma pequena noção da gravidade do problema, dizer apenas que a dívida do sector financeiro é doze vezes superior ao valor do Produto Interno Bruto.
Nestas condições, justifica-se a utilização de uma retórica pouco habitual para um primeiro-ministro que sublinha a possibilidade de colapso do próprio Estado islandês se o sector financeiro do país falir. De qualquer forma, já se sentem os efeitos da crise financeira no país: segundo a Rádio Renascença, já cerca de 300 operários portugueses a trabalhar na Islândia manifestaram as suas preocupações junto ao Sindicato dos Construtores do Norte, isto porque as obras vão ter de paga…

Crise e férias

A crise financeira internacional está a abalar as economias de forma global. Os excessos de instituições financeiras e de seguradoras, a falta de ética e a política do laissez-faire resultaram numa crise cujos contornos são ainda difíceis de definir.
A AIG, a maior seguradora do mundo, foi uma das instituições a ser salva pela intervenção estatal, no caso concreto com 85 mil milhões de dólares. Foram, portanto, em última análise, os contribuintes a salvar a AIG da falência.
Ora, ao invés de se procurar responsabilizar quem esteve à frente da empresa, fez más avaliações de risco, foi ganancioso e, claro está, não demonstrou ter um único resquício de ética, alguns administradores da empresa foram passar férias a um hotel de luxo na Califórnia (uma semana depois da AIG ter sido salva). É claro que estes executivos não pagaram nada pelas férias, cujo valor total ascende os 300 mil euros.
A recente e inaudita crise poderia ser uma excelente janela de oportunidade para mudar o até agora “admir…

Um bom debate para Obama

O segundo debate, que pôs frente a frente Barack Obama e John McCain, foi manifestamente favorável ao Senador do Illinois. As duas últimas semanas forma desastrosas para o candidato republicano, o debate de terça-feira seria de extrema importância para as aspirações do Senador do Arizona. Infelizmente para John McCain, Barack Obama conseguiu mostrar que é um melhor candidato à presidência dos Estados Unidos, consolidando desta forma a vantagem sobre o seu adversário.
Há mesmo quem arrisque declarar uma vitória antecipada de Obama. Eu não iria tão longe, até porque ainda falta quase um mês para as eleições americanas. Seja como for, as próximas semanas não auguram nada de bom para McCain. A grande preocupação dos Americanos prende-se com o estado da economia americana, e as próximas semanas dificilmente poderão trazer melhorias significativas ao actual estado da economia; pelo contrario, a sensação que persiste é a de uma rápida deterioração da economia, com uma recessão à vi…

Portugal reconhece independência do Kosovo

Ontem, o Governo português decidiu reconhecer a independência do Kosovo, apesar de apoiar o pedido da Sérvia na ONU sobre a legalidade da declaração unilateral de independência do Kosovo. O grande argumento do Governo português baseia-se na inevitabilidade da decisão, ficando subentendido que não havia outra possibilidade, tendo em conta que os nossos aliados, na UE e na NATO, já tinham reconhecido a independência daquela província sérvia.
Segundo o ministro dos Negócios Estrangeiros, o não reconhecimento da independência do Kosovo colocava Portugal no lote de países que, por razões internas, rejeitavam o reconhecimento da Sérvia. Assim, a decisão do Governo português parece mais uma espécie de esclarecimento que, na verdade, a nível internacional, vale o que vale.
A decisão do Governo português, a par de outros reconhecimentos, é fundamentalmente errada. Já aqui se discutiu profusamente a questão do mau precedente que a independência do Kosovo cria. Não valerá a p…

PSD: qual o rumo a seguir?

O maior partido da oposição ainda não conseguiu mostrar-se ao país como verdadeira alternativa ao Governo. E isso não será possível enquanto a actual líder do partido se recusar em mostrar ao país que o seu partido constitui uma alternativa ao partido do Governo. A ideia parece ser a da contenção de palavras e a do discurso parco em ideias. Os projectos ficarão para um programa do partido para as próximas eleições. O problema desta estratégia é que os cidadãos não conseguem perceber como o PSD pode ser uma alternativa ao PS. E a espera poderá ser politicamente fatal.
Nestas condições, não é possível continuar a adiar a necessidade de mostrar aos eleitores em que aspectos o PSD pode ser diferente do PS. E pode. Aliás, Marques Mendes, ex-Presidente do partido, mostrou como é possível fazer essa destrinça, num recente livro que lançou.
Tem vigorado a ideia de que o PS de José Sócrates roubou espaço ideológico – se é que assim se pode chamar – ao PSD. E em algumas ma…