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Mensagens

Ainda as sequelas do subprime e a mudança de estratégia dos EUA

A falência do banco de investimento Lehman Brothers representa uma viragem na política das instituições federais americanas. Desta vez, a Reserva Federal não se imiscuiu no processo de falência deste banco, com o objectivo de impedir que essa falência se concretizasse. Recorde-se que há poucas semanas, a Fed interveio através de mecanismos financeiros que têm implicações directas do dinheiro dos contribuintes americanos, salvando outras instituições de crédito. Desta vez foi o Banco Central Europeu a ver-se forçado a injectar no mercado 30 mil milhões de euros. O Lehman Brothers Holding acabou por provar do seu próprio veneno. Resta se as falências ficarão por aqui. Dificilmente.
Era inevitável que a Reserva Federal Americana – leia-se o Estado americano – cessasse as constantes tentativas de salvamento de bancos de investimento e de outras instituições financeiras. Aliás, esse comportamento do poder político reforça a tese de que a necessidade de regulação do mercado financeiro é impe…

A complexidade das eleições americanas

A complexidade das eleições americanas não se prende apenas com o processo eleitoral propriamente dito, que apresenta significas diferenças relativamente ao nosso, mas está essencialmente relacionada com a dificuldade que nós, europeus, temos no entendimento do próprio eleitorado americano. Sendo óbvio que toda a generalização é abusiva, não deixa de ser difícil de compreender como é possível que tantos americanos tenham como intenção votar no ticket McCain/Palin.
As últimas sondagens, pós Convenção Republicana, mostram uma ligeira recuperação da candidatura de McCain. A razão que parece justificar essa ligeira recuperação está na escolha do candidato republicano para a Vice-Presidência. Sarah Palin que, num primeiro momento e aos olhos de muitos comentadores, incluindo a autora deste blogue, parecia ter sido mais um erro de casting do que uma boa aposta, tem-se revelado, pelo contrário, na catapulta da candidatura de McCain.
Com efeito, Sarah Palin ostenta orgulhosamente os seus ideais…

Hugo Chavéz novamente no seu melhor

O Presidente da Venezuela, que tantos admiradores tem em Portugal, voltou a dar mostras do seu melhor ao expulsar o embaixador americano na Venezuela. Ora, Chavéz segue assim o exemplo do caricato líder da Bolívia, Evo Morales, que fez o mesmo ao embaixador americano na Bolívia, desencadeando a natural reacção dos Estados Unidos. Além disso, Chávez recebeu ainda esta semana dois bombardeiros russos em seu território, naquilo que é visto como uma clara provocação de Chavéz e manifestação de força de Moscovo.
O mundo atravessa um período de grandes incertezas: as relações entre os Estados Unidos e a Rússia sofreram uma degradação sem precedente nas últimas duas décadas; do lado americano alinham os tradicionais aliados, com especial destaque para a União Europeia; do lado russo, aparecem países que pelas mais diversas razões não alinham com o Ocidente e procuram a todo o custo aparecer, mostrar ao mundo que existem. É o caso da Venezuela cuja existência seria anódina, não fos…

Obama e o antiamericanismo

O aparecimento de Barack Obama, a sua candidatura ao partido democrata e a sua nomeação têm contribuído para o refrear dos ímpetos mais antiamericanistas. Isto apesar de Obama ainda não ter sido eleito Presidente dos Estados Unidos.
Não se trata apenas de uma animosidade relativamente à Administração Bush, passou-se para a desconfiança que cai sobre o próprio povo americano. Não obstante a diversidade que caracteriza esse mesmo povo, a verdade é que a nomeação de Sarah Palin, candidata à Vice-Presidência ao lado de John McCain, ultraconservadora, serviu para relembrar ao mundo a existência de uma América retrógrada, radical, com laivos de manifesto imperialismo. É essa América que a Europa detesta e que Barack Obama tem feito esquecer. E também é essa América que foi responsável pela guerra no Iraque, pelo fracasso no Afeganistão, pelo enfraquecimento da influência americana, e tem sido em parte incapaz de dar resposta aos efeitos de uma crise económica que ainda assola os EUA e o mund…

Onde está o querido líder?

A pergunta em epígrafe tem toda a pertinência. De facto, onde está Kim Jong-il, o “querido líder”? Ou melhor: qual o estado de saúde de Kim Jong-il? A ausência do ditador norte-coreano na parada militar realizada, esta semana, que assinalava o 60.º aniversário do regime comunista em vigor na Coreia do Norte, veio contribuir para alargar o leque de especulações em torno da ausência prolongada do líder.
Paralelamente, o líder norte-coreano não é visto desde meados deste mês, e crescem assim as teorias que apontam para complicações do estado de saúde de Kim Jong-il. Aliás, um jornalista japonês avança com a teoria de que o líder já estará morto há anos e que terá sido substituído por sósias.
De um modo geral, são muitos os rumores que pretendem justificar a ausência do líder da República Popular da Coreia do Norte. A ausência de Kim Jong-il e a possibilidade deste padecer de complicados problemas de saúde, trazem à discussão o assunto da sucessão e do destino desta ditadura estalinista. Sã…

Reflexões sobre o discurso mais aguardado

O discurso de Ferreira leite era aguardado com grande expectativa, resultado da estratégia de silêncio levada a cabo pela Presidente do PSD. É claro que a estratégia redunda num sentimento de insatisfação porque se torna quase impossível corresponder a essas expectativas entretanto criadas. Assim, o discurso de Ferreira Leite, embora tenha sido, na minha opinião, genericamente profícuo, perde o seu efeito graças à estratégia adoptada pela líder do partido.
Mas a estratégia de silêncio talvez seja o menor dos problemas de Manuela Ferreira Leite (MFL). As querelas internas representam um problema a que urge dar resposta. Agora foi a vez do ex-Presidente, Luís Filipe Menezes, mostrar-se disponível para um congresso anti-Manuela Ferreira Leite. Sendo certo que Menezes continua a ser ele próprio, ou seja, incapaz de aproveitar os silêncios para reflectir – uma espécie de antítese de Ferreira Leite. Mas a verdade é que já outras figuras do PSD tinham criticado a estratégia da líd…

O desfecho esperado

As eleições angolanas culminaram com os resultados esperados: uma clara maioria para o partido do Presidente José Eduardo dos Santos, o MPLA. Há, porém, sinais positivos que podem indiciar algumas mudanças absolutamente necessárias para o progresso do país. As eleições decorreram num clima de normalidade e os observadores internacionais foram unânimes em considerar o acto eleitoral como regular. Este é o melhor sinal para o futuro de Angola.
O ano que se aproxima traz novas eleições, estas mais importantes para o futuro do regime. As eleições presidenciais que se aproximam vão ditar se o regime se mantém inalterável ou não.
Angola continua a ter claras dificuldades em lidar com os mais básicos princípios democráticos, designadamente a liberdade de expressão e de imprensa. O regime não resiste à tentação de exercer um controlo absoluto dos principais órgãos de comunicação social. De resto, alguns órgãos de comunicação social portugueses sabem bem o que significa criticar o regime – as co…