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Mensagens

Escandinávia meu amor

A capacidade de nos deixarmos deslumbrar com outros países e outras realidades não cessa de crescer. Depois de Espanha, é agora a Suécia, a Finlândia, a Noruega, a Dinamarca e, em menor escala, a Islândia que nos fascina. O nível de desenvolvimento desses países associado ao bem-estar dos seus cidadãos faz um contraste inexorável com a nossa realidade. Consequentemente, pululam nos meios de comunicação social reportagens sobre a riqueza desses países – com o recurso incessante a comparações entre níveis salariais, salientando o bem-estar social que os verdadeiros Estados-providência proporcionam aos seus cidadãos.
É certo que o primeiro-ministro português terá sido um grande impulsionador deste deslumbramento em relação à Escandinávia. Recorde-se como o modelo finlandês em matéria de educação era apontado como um exemplo a seguir por Portugal. Parece, contudo, que o fascínio governamental chocou com a realidade portuguesa. Hoje, já não se fala com tanta insistência no model…

Obama superstar?

A nova estratégia de John McCain, candidato republicano à presidência norte-americana, parece apoiar-se na premissa de que denegrindo a imagem do seu opositor o sucesso será garantido. Para isso, a campanha do candidato republicano tentou colar a imagem de Barack Obama à de algumas celebridades como Britney Spears ou Paris Hilton, passando a mensagem de Obama não passa de uma celebridade e deixando dúvidas sobre a sua capacidade para liderar o país.
Esta tentativa de denegrir a imagem do seu opositor político não é nova nas campanhas eleitorais para a presidência norte-americana, e raras vezes produziram resultados positivos. Na verdade, a estratégia de McCain demonstra alguma fraqueza de espírito de um candidato que não se cansa de relembrar o seu passado impoluto e corajoso e a sua rectidão. Além do mais, a popularidade de Obama, mais visível fora de portas, não deixará certamente de incomodar McCain.
Há poucas semanas, o candidato democrata, Barack Obama, visito…

Mês de Agosto

O mês de Agosto é sinónimo de férias, mas é também sinónimo de abrandamento substancial da seriedade e da solenidade que caracteriza o resto do ano. Talvez essa solenidade seja mais visível no mundo da política e dos políticos. Mas o mês de Agosto não é mais do que o zénite da silly season que, na verdade, começa muito antes desse mês, havendo mesmo quem advogue que a silly season não tem principio nem fim, perpassa o ano inteiro.
O último momento digno de registo no que toca às actividades políticas foi protagonizado pelo Presidente da República. Mas nem esse último momento consegue contrariar o espírito do mês – afinal, falou-se em demasia da forma como o Presidente abordou o assunto, e raras vezes se discutiu o Estatuto Político-Administrativo dos Açores; nem tão-pouco se referiu o facto dos deputados terem aprovado, no Parlamento, o mesmo estatuto por unanimidade. Certamente que estes assuntos ficarão para Setembro
Entretanto, recomenda-se o aproveitamento da…

China, Jogos Olímpicos e Direitos Humanos

A pouco menos de 10 dias do início dos Jogos Olímpicos, a Amnistia Internacional vem alertar para o facto da China continuar a desrespeitar os direitos humanos, não obstante o compromisso de alterar a grave situação de ostensivo desrespeito dos direitos humanos.
Em primeiro lugar, a China não respeitou um compromisso, beneficiando do estado de graça concedido pela comunidade internacional, cujos líderes lidam bem com esse desrespeito. É inadmissível que o regime chinês continue a utilizar todo o tipo de artifícios com o claro objectivo de impedir a liberdade de impressa e de expressão. Os dissidentes políticos continuam presos, a liberdade de expressão cerceada como forma de manter o regime inexpugnável.
Em segundo lugar, a forma como a China actua no plano internacional padece de uma análise mais clara e mais ponderada. Senão vejamos: a acção do regime chinês em África caracteriza-se pela mais ignominiosa forma de salvaguardar os interesses do regime chinês, adoptando uma postura de de…

Declaração de Cavaco Silva ao país

Depois de alguma expectativa criada em torno da declaração do Presidente da República ao país, Cavaco Silva escolheu falar aos Portugueses sobre as suas dúvidas relativamente ao Estatuto Político-Administrativo dos Açores. A expectativa subiu de tom, depois do Presidente da República ter interrompido as suas férias para fazer uma declaração ao país, e por não ser habitual Cavaco Silva fazer estas declarações.
De facto, a expectativa criada em torno da comunicação do Presidente talvez tenha sido excessiva, não retirando, porém, qualquer importância ao Estatuto Político-Administrativo dos Açores. Não se tece críticas à demonstração do Presidente das suas preocupações, muito pelo contrário. Mas a forma como se aguardou e publicitou a declaração do Presidente pôde antever uma natureza das declarações que não coincidiam exactamente estas sobre os Açores.
Alguns meios de comunicação social especularam sobre o teor das declarações do Presidente, e, com efeito, o Estatut…

Instabilidade na Turquia

O Tribunal Constitucional (TC) turco acabou de deliberar sobre uma proposta de ilegalização do partido do primeiro-ministro e do Presidente da República, o Partido da Justiça e Desenvolvimento (AKP). Este partido pós-islamista é acusado de pôr em causa valores secularistas e de estar a destruir os fundamentos do Estado Laico, numa campanha de islamização do país.
Assim, o AKP, partido do primeiro-ministro Erdogan e do Presidente Abdullah Gül, correu o risco de sofrer uma interdição e os seus membros, incluindo o primeiro-ministro e o Presidente da República, virem a ser expulsos. O país esteve suspenso por uma decisão que culminou com uma penalização financeira do partido. Entretanto, a Turquia encontra-se já dividida em secularistas radicais, por um lado, e islamistas, por outro. A razão da contenda é simples: os secularistas acusam os islamistas de minarem o laicismo, herança do pai da Turquia, Ataturk.
Com efeito, a preponderância do ponto de vista eleitoral do AKP, que conseguiu ele…

Graves iniquidades

Depois do Diário de Notícias ter noticiado os elevados encargos com gestores públicos, seria a altura para se analisar a iniquidade que isso representa e, como não podia deixar de ser, o impacto que essas elevadas remunerações têm no erário público. O Governo, contudo, não parece disposto a encetar essa discussão, e mais: a forma como o Executivo reagiu prenuncia a manutenção deste estado de coisas.
Na verdade, a perpetuação de empresas públicas cujos administradores, alguns não-executivos, auferem salários elevados e são ainda beneficiários de outras regalias, não deixa de ter repercussões na opinião pública. Ora, quando o Governo não resistiu em fazer de várias classes profissionais inimigos públicos – os professores talvez sejam o melhor exemplo – e, simultaneamente permite que gestores, alguns deles maus gestores, beneficiem de regalias e de elevadas remunerações, algo vai mal na cabeça de quem nos governa.
A questão é simples: se o Governo se propõe a arrumar …