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Mensagens

A caricatura de Barack Obama

A capa da próxima revista The New Yorker está a provocar grande celeuma nos Estados Unidos. A capa – uma caricatura do casal Obama – tinha como intenção criticar os exageros e as falsidades sobre Barack Obama, uma espécie de crítica satírica aos exageros que alguns opositores de Obama fomentam sobre o senador do Illinois. O título é precisamente “A política do medo”.
Todavia, a caricatura poderá não cumprir o objectivo a que se propunha, podendo mesmo provocar o efeito contrário. Nessa caricatura vê-se Barack Obama vestido com trajes muçulmanos, cumprimentando a sua mulher que ostenta uma metralhadora. O acontecimento tem lugar na Sala Oval, decorada com uma pintura de Bin Laden e onde se vê a bandeira americana a arder na lareira. A imagem é indubitavelmente provocadora, e apesar de tentar criticar as associações que alguns fazem entre o candidato presidencial Barack Obama e o terrorismo, não consegue ser feliz.
Não obstante as críticas que possam recair sobre a caricatura da revista, …

Um sinal de esperança

É com alguma exasperação que se constata que a classe política é incapaz de dar sinais de esperança de que o futuro será mais promissor. Governa-se a prazo e amiúde sem se pensar, hoje, na construção do amanhã; o mesmo se passa com a oposição que não faz mais do que criticar avulsamente as incipientes medidas do Governo, enquanto este, por sua vez, governa com os olhos virados para 2009 – altura das próximas eleições legislativas. Ora, o cerceamento da esperança dos cidadãos não é compaginável com a construção de um país com futuro.
Embora a recém-eleita líder do PSD tenha chegado há pouco tempo à presidência do partido, a verdade é que o discurso do PSD remete-nos frequentemente para o passado e raras vezes nos fala do futuro – do que é preciso fazer hoje para melhor a vida de todos nos próximos anos. Em abono da verdade, importa referir que o PSD tem criticado os laivos de novo-riquismo do Governo no que toca a obras públicas. A nova liderança do PSD mostra assim sentido d…

Jogos de guerra

A tensão no Médio Oriente aumenta com a demonstração de força do Irão e, no mês passado, com movimentos militares israelitas. Estes jogos de guerra – as fotografias, ainda assim manipuladas, de testes de mísseis iranianos são apenas os exemplos mais recentes – agravam as relações entre Israel e o Irão. Recorde-se que o Presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, tem sido pródigo em afirmações que preconizam o desaparecimento de Israel, e mais recentemente, o aiatola Ali Khamenei ameaçou incendiar Telavive. As ameaças não ficaram por aí: já esta semana o regime iraniano ameaçou directamente o Estado israelita e as bases norte-americanas na região.
Se por um lado, alguns analistas duvidam da concretização de uma acção militar israelita contra o Irão, sem o apoio norte-americano; por outro, muitos analistas têm reiterado a possibilidade desse ataque ocorrer muito brevemente, mesmo sem o apoio incondicional dos EUA.
Com efeito, a Administração Bush já tem dificuldades em lidar com o Afeganist…

É tudo uma questão de estilo

O estilo do actual primeiro-ministro que, entretanto, sofreu uma metamorfose, foi sempre objecto de discussão. Agora junta-se a essa discussão sobre estilos, a forma como a recém-eleita líder do PSD faz política. É evidente que o estilo está longe de ser o mais importante, mas do ponto de vista eleitoral tem o seu peso. É igualmente verdade que, em Portugal, discute-se muito o estilo e pouco a substância das ideias apresentadas pela classe política.
Seja como for, o estilo do primeiro-ministro foi, num primeiro momento, marcado pelo distanciamento, pela arrogância, pela recusa em enveredar por caminhos de consenso e diálogo; é agora disfarçado por uma maior abertura, pela complacência e pela compreensão relativamente aos problemas que assolam a vida dos cidadãos. De facto, passou-se de um período em que era necessário empreender reformas estruturais (que não tiveram grande seguimento), para um período em que a generalidade dessas reformas ou sofreram um abrandamento ou fora…

O debate sobre o estado da Nação

O debate parlamentar sobre o estado da Nação não trouxe nada de novo; ou melhor, o primeiro-ministro aproveitou a ocasião para anunciar novas medidas sociais com o objectivo de aligeirar a crise que assola os cidadãos. Para além das medidas previamente anunciadas na entrevista da RTP, José Sócrates anunciou mais algumas tentativas, ténues é certo, mas ainda assim tentativas de ajudar as famílias portuguesas, sobretudo as mais desfavorecidas.
A oposição desempenhou o papel a que nos habitou – limitou-se a criticar, sem apresentar alternativas exequíveis às políticas do Governo. O debate foi também marcado pela estreia de Paulo Rangel, líder da bancada parlamentar do PSD. Uma estreia com altos e baixos, mas que ainda assim contraria, em parte, o marasmo do Parlamento.
Mais do que se debater as mesmas conclusões sobre o estado da Nação, importa agora encetar-se umaa discussão sobre soluções que permitam atenuar os efeitos da crise, sem nunca perder de vista as medidas necessárias que permi…

O país das maravilhas

Numa altura em que as atenções políticas recaem sobre o debate da Nação, é boa altura para falar do país das maravilhas. Paradoxalmente, os cidadãos vivem em situação de contínua degradação da sua qualidade de vida, enquanto o Governo parece viver no país das maravilhas. E se o primeiro-ministro for com essa atitude, repleta de ilusões e propaganda, para o Parlamento, pode ser contraproducente para as aspirações do Executivo de José Sócrates.
Perguntar-me-ão: mas afinal que país das maravilhas pode ser este? Para o comum dos cidadãos é difícil associar Portugal à palavra maravilha, mas esse exercício é fácil para o Governo. Nessa medida, a área da Educação é sintomática da existência de um país das maravilhas para o Governo.
Não é por mero acaso que as médias dos exames nacionais conheceram, nos últimos anos, uma subida acentuada. Isso acontece porque vivemos no país das maravilhas, onde é possível que os alunos, em várias disciplinas, mas particularmente em matemá…

Relatório da SEDES

A associação para o desenvolvimento económico e social (SEDES) veiculou, em vésperas de debate sobre o Estado da Nação, as conclusões do seu relatório. Recorde-se que, em Fevereiro, a SEDES já tinha divulgado um relatório cujas principais conclusões diziam respeito ao clima de crispação que se vivia no país. Este relatório aponta noutro sentido – o abrandamento ou abandono das reformas que o Governo tinha proposto executar, em virtude das pressões do calendário eleitoral.
E se por um lado é verdade que a SEDES não traz nada de particularmente novo à discussão, por outro, é também uma realidade que o Governo mudou de rumo, como já se referiu neste mesmo blogue. Em traços gerais, o Governo e, em particular, o primeiro-ministro começou por controlar os seus habituais episódios de irascibilidade e intransigência, substituindo-os por uma postura de maior tolerância, abertura e até compreensão. Reeleição a quanto obrigas!
Em todo o caso, se a mudança tivesse sido apena…