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Mensagens

O “não” irlandês

A República da Irlanda disse “não” ao Tratado de Lisboa, colocando um travão no processo. A inexistência de um plano alternativo traz novas complicações para uma Europa cujos líderes olhavam para o Tratado Reformador como uma saída para crise. O “não” irlandês é, porquanto, um duro revés para a UE, designadamente para os líderes políticos que se tinham empenhado numa solução para desencalhar a Europa da crise.
As lideranças políticas que estiveram no processo de negociação e que se empenharam na ratificação do Tratado não acautelaram as dificuldades que surgiram em todo este processo. De um modo geral, o processo do Tratado Reformador foi marcado pela discussão política à revelia dos cidadãos europeus que nem foram chamados às urnas, nem tão-pouco foram ouvidos em discussões sobre o mesmo. Acabou por se insistir no argumento que postulava a dificuldade de compreensão do documento como principal razão para não se ouvir os cidadãos.
O sentimento de alheamento que muitos europeus sentem re…

Regresso à normalidade

Depois de uma semana conturbada e caracterizada pela paralisação dos camionistas, o país parece regressar a uma normalidade que mais não
é do que superficial. De facto, outras classes profissionais se seguirão nos protestos contra o aumento no preço dos combustíveis – os jornais já noticiam movimentações de taxistas e agricultores. A ideia subjacente a esses eventuais protestos prende-se precisamente com as dificuldades de sectores que dependem largamente do preço dos combustíveis, e se o Governo atendeu às revindicações do sector dos transportes pesados de mercadorias, é natural que outros sectores se virem para o Estado a pedir ajuda. Era expectável que essa situação acontecesse.
Por outro lado, a normalidade e a acalmia que regressam depois de dias atribulados, poderá ser manchada pelos protestos de outros cidadãos que olham com cada vez maior interesse para um esquerda cheia de reclamações e vazia de soluções. Com efeito, o aumento das taxas de juro, o aumento da taxa de inflação, a…

Paralisação do país

Estes dias têm sido caracterizados pela paulatina paralisação do país que começou com os protestos de camionistas que não se coibiram de exercer ameaças a colegas, incorrendo também noutros excessos. É inconcebível o estado a que o país chegou, ficando refém de uma classe profissional, não obstante a validade ou não das suas reivindicações.
Deste modo, o Governo acabou por ceder a algumas reivindicações do sector, pelo menos da ANTRAM. Alguns camionistas mantêm o protesto e provavelmente outros sectores profissionais vão solicitar ao Governo aquilo a que muitos acharão que têm direito. O risco de o Governo abrir uma caixa de Pandora não é uma hipótese a excluir.
Por outro lado, não se pode passar ao lado de uma crítica a um conjunto de cidadãos que, embora estejam no seu direito de protestar, raras vezes cumpriram a lei, com o claro beneplácito das autoridades. Este também é um mau precedente; afinal, não é com chantagens, com arremesso de pedras, e com ameaças que se resolvem os proble…

65 horas de trabalho

Agora são as 65 horas semanais a substituir as actuais 48 horas. Ou dito de outro modo, foi aprovada, ontem, a directiva do Tempo de Trabalho, permitindo que se possa chegar às 65 horas semanais, se trabalhadores e patrões estiverem de acordo. Parece, pois, que o menosprezo que o regime chinês tem pelos trabalhadores deste país inspirou a Europa. Este é mais um retrocesso social. Será certamente mais um, outros virão. na verdade, o regresso aos tempos idos da Revolução Industrial que muitos advogam, parece pois fazer muito sentido. Fica na gaveta a importância do bem-estar dos trabalhadores, o tempo de lazer, o tempo com a família, o indispensável tempo para descanso. Dir-se-á que trabalha quem quer, mas a ver vamos se trabalha quem quer. Ou se não passará a ser essa a norma. Por outro lado, está-se a enveredar pelo caminho contrário às políticas de combate ao desemprego.

Este é mais um exemplo que serve para fortalecer a tese dos desequilíbrios no seio da UE. De resto, a cegueira que …

“O dia da raça”

Esta expressão está a marcar o dia de Portugal e foi proferida pelo Presidente da República, em Viana do Castelo. A gaffe foi considerada inadmissível pelo Bloco de Esquerda e do PCP. De facto, a expressão faz-nos regressar a outros tempos menos recomendáveis, mais salazaristas.
A expressão “dia da raça” é, sem margem para dúvidas, infeliz; não só por ser utilizada num período histórico que não deixou saudades, embora haja quem contrarie esta ideia, mas essencialmente porque a expressão em si é infeliz por conter a ideia de existir uma raça portuguesa implicitamente superior, o que justificaria a sua comemoração.
O Presidente da República terá cometido uma gaffe, é certo, mas fê-lo, provavelmente, de forma não intencional. O Bloco de Esquerda e o Partido Comunista estão no seu direito de manifestarem a sua indignação, mas deviam abster-se de fazer desta questão o centro das comemorações do dia de Portugal, de Camões e das Comunidades.
Com efeito, quer o Bloco de Esquerda quer o PCP agrad…

Os desafios de Barack Obama

Barack Obama, depois da sua histórica nomeação, tem novos desafios pela frente. O apoio veemente da senadora e sua opositora democrata, Hillary Clinton, é de grande importância para as aspirações de Barack Obama. Deste modo, Obama terá mais possibilidades de contar com os votos das mulheres, de uma parte substancial da classe média, das classes mais pobres e dos hispânicos, que têm sido os apoiantes da candidatura de Hillary Clinton.
Mas os desafios de Obama não se prendem apenas com a reconciliação do partido – que conta agora com o empenho da senadora do Estado de Nova Iorque – e com a conquista dos eleitores mais próximos de Clinton; os desafios estão relacionados com propostas políticas propriamente ditas. Uma das críticas à campanha interna do Senador do Illinois está precisamente na ausência de substância no teor das propostas apresentadas. Agora que Obama tem de fazer frente ao candidato republicano, John McCain, é o projecto político de Obama que necessita de ser o centro das a…

Razões para censurar o estado da nação

Ocupar o espaço político mais à direita ou mais à esquerda não é tarefa fácil. Fácil é encontrar incongruências em ambos os espaços ideológicos. À esquerda deparamo-nos com exageros que podem gerar iniquidades. À direita, temos dificuldades em nos identificarmos com o conservadorismo dos valores, e temos noção dos perigos do neoliberalismo económico. Assim, correndo o risco de fazer uma amálgama de direita e de esquerda, é preferível mostrar concretamente o que seria profícuo para o país, no entender da autora deste texto, claro está.

Qualquer intervenção começar inevitavelmente com a questão do Estado. O Estado deve ter menos preponderância, mantendo sob sua alçada áreas tradicionais como Saúde, Justiça, Educação, Segurança e Defesa. Salvaguardando também que todos os cidadãos tenham acesso a estes serviços ou sejam abrangidos por eles, de tal forma que os mais desfavorecidos não sejam excluídos.

O Estado, igualmente, deve combater o despesismo, a subsidio-dependência; acabar com uma A…