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Mensagens

Cordialidade no PSD

Dir-me-ão que cordialidade e PSD são palavras que não combinam. E com toda a razão, sendo que a prova disso mesmo é a última intervenção de Luís Filipe Menezes a propósito de Manuela Ferreira Leite, candidata à presidência do partido.
Menezes, num acesso de raiva despontada de uma necessidade de vingança – segundo o mesmo se Ferreira Leite criticou a sua presidência, então ele estará no direito de criticar Ferreira Leite –, decidiu proferir palavras hostis à actuação de Manuela Ferreira Leite quer na qualidade de ministra das Finanças, quer na qualidade de ministra da Educação. Menezes vai mais longe e chega a apregoar que Ferreira Leite terá sido a pior ministra das Finanças dos últimos 30 anos.
Ora, Menezes não ficará para a história como um grande líder do partido, pelo contrário, a sua curta estadia pautou-se pela tibieza e pela mais completa ausência de credibilidade e de seriedade. Por conseguinte, talvez não fosse má ideia se Menezes optasse por uma posição mais discreta, menos e…

O regresso da fome

A fome nunca foi um mal erradicado do mundo, persistindo teimosamente em várias regiões do mundo. Porém, a subida do preço dos alimentos rouba qualquer espaço de manobra a muitos milhões de habitantes de um planeta onde grassa o egoísmo, a ânsia pelo lucro e a mais abjecta iniquidade. A crise alimentar mundial que dá os seus primeiros sinais vai seguramente se traduzir num aumento insustentável de famintos.
Existe uma multiplicidade de razões para a escalada de preços dos produtos alimentares, mas há uma que é ignominiosa: a especulação e o consequente enriquecimento de alguns anónimos sem rosto que engordam os seus cabazes à custa do sofrimento de muitos. Sabe-se que o orçamento (se é que se pode chamar orçamento a pouco mais de um dólar por dia) de uma família em muitos países africanos já tinha como consequência a fome; tudo se torna impossível quando os preços dos alimentos básicos sobem ao ritmo a que têm subido. A sobrevivência poderá ser uma inviabilidade para muitos milhões de …

Afinal, pode-se violar a lei do tabaco?

Sim, é possível. Se se tratar do primeiro-ministro ou se for membro do Governo. Segundo os constitucionalistas, não é possível fumar em transportes aéreos, mas a TAP considera essa situação como sendo perfeitamente normal. Vem a esta questão a propósito dos alegados momentos em que o primeiro-ministro e o ministro da Economia fumaram num avião fretado pelo gabinete do primeiro-ministro, com destino à Venezuela.
O episódio seria mais um fait divers se a entrada em vigor da lei do tabaco não tivesse decorrido num clima de condenação do fumador, e se a lei fosse cumprida por todos os cidadãos – não havendo excepções. Agora o episódio torna-se curioso: afinal, a lei não é para todos, se o Governo fretar um avião, com dinheiros públicos, a lei pode incorporar excepções.
Seria interessante ver agora o director-geral de Saúde defender acerrimamente a lei, condenando sub-repticiamente os fumadores e ostracizando quem ousa fumar, mesmo que o faça em consonância com a lei.
É igualmente curioso ver…

Fascínio pelos ditadores

Por altura da visita oficial de José Sócrates à Venezuela, recordemos os contactos entre o primeiro-ministro e líderes que serão tudo menos democráticos. Agora é a vez de Chávez (trata-se do segundo encontro em alguns meses). A visita à Venezuela terá como principal objectivo o contacto com a vasta comunidade portuguesa no país, serão mais 600 mil os portugueses e luso-descendentes. Por conseguinte, a visita de Sócrates, apesar de tudo, encontra aqui a sua fundamentação.
É claro que a visita do primeiro-ministro à Venezuela tem subjacentes razões económicas e pretende estreitar laços entre empresas portuguesas e o regime venezuelano. Ora, é sobejamente conhecida a irascibilidade e a consequente regurgitação de alarvidades que caracterizam o Presidente venezuelano, e nestas circunstâncias não convirá muito exasperar o líder da Venezuela. Assim, o primeiro-ministro tenta a todo o custo montar uma operação de charme ao mesmo político que esta semana apelidou Angela Merkel de Hitler.
Mais g…

Um erro estratégico

Os erros estratégicos parecem fazer parte integrante das políticas ao longo das últimas décadas, para não ir mais longe. Mas a inércia e falta de vontade política na aposta no mercado de arrendamento tem consequências positivas para as instituições financeiras, mas essas consequências estão longe de ser positivas para muitas famílias que enfrentam elevados níveis de endividamento.
O Instituto Nacional de Estatística (INE) divulgou na semana passada que as casas valem cada vez menos aos olhos dos avaliadores. Consequentemente, a avaliação levada a cabo pelos bancos tende a ser menos generosa. Estas avaliações estão ligadas à crise do suprime e às maiores dificuldades que os bancos têm em se financiarem nos mercados.
Hoje, os bancos adoptam políticas de concessão de crédito mais restritivas: os spreads são mais elevados, há uma maior insistência na existência de fiadores, avaliações são mais rigorosas quer dos imóveis, quer da situação financeira dos clientes. Por outro lado, é cada vez m…

China e o Tibete

A ocupação chinesa do Tibete não parece ser causa de grande contestação para uma Europa encolhida sobre si mesma e uns Estados Unidos ainda à espera do fim do mandato de um Presidente que fez da acefalia uma forma de liderar a maior economia mundial. É neste contexto que a questão do Tibete vai paulatinamente saindo da ordem do dia. Até porque já não há quem tente apagar a tocha dos Jogos Olímpicos. O regime chinês, por sua vez, dá um ou outro sinal no sentido do diálogo e sossega as consciências do mundo Ocidental.
Mas o desrespeito pelos Tibetanos, pela sua cultura e pelas suas especificidades religiosas continua a existir e vai continuar, em particular depois dos Jogos Olímpicos, perante o silêncio de um Ocidente que passa demasiado tempo ocupado consigo mesmo.
Quando se questiona sobre as razões que levam um povo a insurgir-se contra o regime dominador, importa enfatizar que esse regime tudo faz para aniquilar as diferenças culturais e religiosas desse povo, desprovendo esse mesmo p…

Afinal há motivos de sobra para censurar o Governo

As palavras poderiam ser de um qualquer membro da oposição, mas na realidade pertencem ao primeiro-ministro. Este é um daqueles raros momentos em que o primeiro-ministro foi transparente e foi ele próprio, não se escondendo por detrás da artificialidade a que já nos habitou. É certo, porém, que o primeiro-ministro já nos tinha brindado anteriormente com a sua verdadeira pessoa, mas esses momentos foram marcados pela irascibilidade, e este foi antes marcado pela sinceridade das palavras de José Sócrates.
O chefe de Governo proferiu estas palavras no Parlamento, como forma de resposta à moção de censura interposta pelo PCP contra a proposta do Governo sobre o Código do Trabalho. As palavras exactas do primeiro-ministro foram “Há motivos de sobra para censurar o Governo”… mas o que o PCP agora evoca “são os errados”. Contextualizando o discurso de José Sócrates, reconhece-se e elogia-se o esforço do primeiro-ministro no sentido de ser verdadeiro com o país.
Pena foi não ver a ministra da E…