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Mensagens

Anatomia de um recuo

O ministério da Educação e o sindicato dos professores chegaram a um entendimento sobre o polémico processo de avaliação dos professores. A ministra da Educação apressou-se a afirmar que não se tratava de um recuo do Governo. Politicamente, trata-se de um recuo. A ministra pode elaborar os artifícios semânticos que entender, mas é mesmo disso que se trata – de um recuo.
O processo de avaliação dos professores foi alvo de críticas, não apenas por iniciativa da classe docente, mas também dos partidos da oposição e de vários quadrantes da sociedade portuguesa. Para além das críticas que incidiam sobre vários itens do modelo de avaliação proposto pelo ministério, sobravam igualmente criticas à forma como se estava a tentar impor, extemporaneamente e à margem de toda uma classe profissional, um modelo de avaliação que gerou demasiadas divergências. O zénite do desagrado dos professores foi a famigerada manifestação que reuniu um número atípico de manifestantes. O sinal foi claro para o Gove…

As elevadas taxas de juro do crédito ao consumo

A Comissária europeia para os direitos dos consumidores alertou para o facto de, em Portugal, se praticarem elevadas taxas de juro no que concerne ao crédito ao consumo – em Portugal regista-se o dobro do que é praticado no espaço comunitário. De resto, a constatação da comissária não é propriamente novidade, mas a preocupação manifestada pela comissária permite ao país olhar de frente para uma realidade que se torna incomportável para muitas famílias.
Há a tendência para atenuar a problemática do endividamento, referindo que Portugal não é o país mais endividado da Europa. E, de facto, não é. Mas ainda assim é preciso contextualizar os elevados níveis de endividamento que se registam no nosso país: a nossa economia não é seguramente das mais fortes e dinâmicas da Europa; o emprego precário associado a uma significativa taxa de desemprego coloca muitas famílias em risco; a existência de uma economia que apresenta algumas debilidades e a eminência de uma crise internacional é uma combin…

Precariedade do trabalho também é um drama social

O Bloco de Esquerda teve a iniciativa de levar à Assembleia da República o tema da precariedade laboral. Esta iniciativa merece profundos elogios, ainda para mais num contexto em que os restantes partidos políticos refugiam-se no mais insidioso silêncio.
O tema da precariedade laboral é, amiúde, ignorado quer pela comunicação social, quer pelo poder político. Parece, pois, que todos conhecemos a realidade do trabalho precário, mas ainda assim preferimos ignorá-la.
O trabalho precário tem as suas causas na vigência de uma mentalidade obtusa que privilegia o facilitismo, o lucro fácil, e inadvertidamente acaba por redundar no fracasso de muitas empresas que, ao invés, de apostarem num desenvolvimento sustentável, mas trabalhoso, preferem enveredar pelo caminho mais fácil. São os mesmos empresários que ainda perceberam que a produtividade das empresas está intimamente ligada à satisfação dos funcionários – ainda não perceberam que têm de estipular um mínimo de satisfação aceitável, caso co…

É tudo uma questão de estilo

O líder do PSD, Luís Filipe Menezes, fez afirmações lamentáveis, durante a sua deslocação à Madeira. Essas afirmações, talvez o líder do PSD tivesse sido contaminado pelos ares da Madeira, incidiram sobre aspectos da vida pessoal do primeiro-ministro, mais concretamente sobre a sua vida académica. Luís Filipe Menezes, manifestando uma acentuada vacuidade de ideias, prefere assim os ataques pessoais.
O presidente do PSD achou que seria profícuo se fizesse questão de afirmar que completou o seu curso numa Universidade pública e durante o tempo “normal”, ao invés do primeiro-ministro. Será que Menezes ainda não percebeu que a polémica sobre o curso do primeiro-ministro nada tinha a ver com as capacidades do primeiro-ministro? A polémica era sustentada pela opacidade que caracterizou parte do percurso académico do primeiro-ministro, nada mais do que isso. Exultar as suas próprias conquistas académicas, contrapondo as mesmas ao percurso académico do primeiro-ministro não ficou bem a um líde…

Acordo Ortográfico

A discussão sobre o Acordo Ortográfico, desenhado nos anos 90, mas ainda à espera de ratificação, tem vindo a público, graças, em larga medida, a iniciativas da Associação Portuguesa de Editores e Livreiros e ao empenho do escritor Vasco Graça Moura em defender a não ratificação do acordo. Caso contrário, pouco ou nada se ouviria sobre um acordo que vai ter real impacto na língua portuguesa. Parece mesmo não haver um interesse em que se divulguem os contornos de um acordo feito à revelia da generalidade dos portugueses. Enganam-se aqueles que defendem que esta é uma discussão que deve ser empreendida apenas entre académicos e responsáveis políticos. A língua não é um exclusivo do mundo académico e da esfera política.
Os objectivos do acordo ortográfico são, aparentemente, positivos. Pretende-se, assim, uniformizar e divulgar a língua portuguesa escrita, com o claro objectivo de uma maior internacionalização da língua. Contesta-se, no entanto, a forma como se pretende alcançar esse obje…

Tibete e hipocrisia

Ontem foi entregue, na Assembleia da República, uma petição de 11 mil assinaturas cujo objectivo é persuadir os deputados no sentido de condenarem a violência no Tibete, a supressão da liberdade religiosa e o desrespeito pelos direitos humanos. O PCP justifica o seu voto contra com o facto de se estar reiteradamente a “deturpar a situação no Tibete”, criticando ainda os que “põem em causa a integridade territorial da China”.
Ora, o PCP dá novamente sinais da sua já tradicional hipocrisia. Não se pode ser, simultaneamente, arauto das liberdades e da democracia – como o PCP advoga ser – e não condenar a infâmia do regime Chinês, em relação ao Tibete. É nestes contextos que o PCP mostra a sua verdadeira natureza. Não obstante as atrocidades que são cometidas no Tibete pelo regime chinês – um regime claramente totalitário e nada apologista das liberdades individuais –, o PCP continua a ver o filme ao contrário. É claro que se trata de solidariedade ideológica; poucos, no PCP, conseguem esc…

A dupla

A dupla constituída pelo presidente do PSD, Luís Filipe Menezes, e por Alberto João Jardim deu sinais de se ter consolidado durante o XII Congresso do PSD, realizado durante o passado fim-de-semana e à porta fechada. Os ares da Madeira não têm o melhor efeito sobre os líderes do PSD que se deslocam à ilha. Já antes de Menezes, foi Marques Mendes a ser contagiado pelo populismo bacoco do líder do governo regional da Madeira, e a mostrar uma admiração esfuziante em relação a Alberto João Jardim.
Esta aproximação entre o líder do PSD nacional e Alberto João Jardim explica-se também pela necessidade de agradar ao líder madeirense. De facto, é preferível ter João Jardim como aliado do que como inimigo.
Em todo o caso, Menezes conseguiu ir ligeiramente mais longe do que o seu antecessor ao preconizar uma nova Constituição e ao prometer ao líder madeirense uma “autonomia sem limites”, seja lá o que é que isso representa. Menezes não explicou muito.
Esta aproximação entre Menezes e Jardim poderá…