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Mensagens

PSD e políticas avulsas

O líder do PSD, Luís Filipe Menezes, foi genericamente acusado de apresentar medidas avulsas e inconsequentes. Vieram essas críticas a propósito da entrevista que o líder do PSD deu à SIC Notícias, em que explanou a sua proposta para retirar a publicidade à RTP. É curioso verificar que muitas das críticas a essa proposta vieram do interior do próprio PSD.
De facto, é impossível não verificar que o líder do PSD é afoito quando apresenta propostas ao país, mas as suas propostas perdem substância, consequência da sua incapacidade de fazer um enquadramento geral das suas políticas; na verdade, tem faltado muito ao PSD no sentido de fazer uma oposição credível ao Governo, e Luís Filipe Menezes, coadjuvado por Santana Lopes, têm-se desdobrado em enunciações de políticas avulsas, e rapidamente descartáveis. Primeiro foi a tirada da Constituição, mas nem se explicou o caminho nem o porquê de se pretender mexer na Constituição, depois foi a ideia do partido-empresa, e agora as alterações, ao ní…

Conflito israelo-palestiniano e radicalismos

Quando se fala em Médio Oriente, acaba-se invariavelmente por referir o conflito israelo-palestiniano, e quando assim é, não raras vezes insiste-se na radicalização de posições – ou se entende incondicionalmente o lado palestiniano ou se faz o mesmo com as razões israelitas. Esta é, claramente, uma questão complexa e que acarreta dificuldades nas possíveis soluções para o infindável conflito que parece separar indelevelmente israelitas e palestinianos.
É possível compreender os argumentos de uns e de outros, porém, não se pode aceitar, que para se atingir um determinado fim, se recorra ao terrorismo. Essa deverá sempre ser uma posição inexpugnável.
Se por um lado compreendemos a urgência de um Estado palestiniano, e um regresso às fronteiras de 1967; por outro, não se pode ignorar os constantes ataques terroristas de que o povo judaico é alvo, e mais: a intransigência de grupos palestinianos, como é o caso do Hamas, em aceitar a existência de um Estado israelita é um óbice à paz. Não se…

Política de baixo nível

O país vive um período de dificuldades – e não, não são apenas de natureza económica –, agora foi a vez do ministro da Agricultura nos presentear com um momento degradante. De facto, os ministros deste Governo não cessam de nos surpreender com as suas alarvidades, e quando pensávamos que o campeão seria o ministro das Obras Públicas, segue-se então o ministro do Ambiente e surge-se agora o zénite da alarvidade com as declarações ignominiosas do ministro da Agricultura.
O infeliz episódio surge depois do Presidente do CDS-PP ter questionado o ministro da Agricultura sobre políticas do seu ministério e de ter acusado o ministro de “praticar uma política de calote” por não pagar aos agricultores. O ministro decidiu então não responder às afirmações de Paulo Portas, e enveredou por um caminho das denúncias e de insinuações, tendo ainda tempo para fazer um trocadilho com a palavra “branqueamento”. Ora, em primeiro lugar, o caso do Casino de Lisboa, o caso Portucale devem ser alvo de esclare…

Comunicação social incómoda

As reacções à notícia do PÚBLICO que dá conta de inconsistências durante um período em que o primeiro-ministro desempenhou funções de engenheiro técnico, são sintomáticas da existência de uma classe política pouco habituada ao escrutínio público e que tenta alimentar teorias da conspiração sempre que tem dificuldades em esclarecer o teor das notícias.
De facto, os tempos não têm sido fáceis para o Governo e para o PS – a contestação relativamente às políticas do SNS e a consequente remodelação governamental, o desemprego que não dá sinais de baixar significativamente, e a existência de um descontentamento mais ou menos latente do chamado país real, já para não falar da única verdadeira oposição às políticas do Governo e que Manuel Alegre tem protagonizado, aparecem como ameaças a um Governo aparentemente inabalável. Imagine-se então o primeiro-ministro com tantas dores de cabeça ter ainda de lidar com notícias de jornais que escrutinam a sua vida profissional. O resultado: um aumento d…

As fragilidades da União Europeia

A crise que eclodiu da declaração de independência unilateral do Kosovo vem pôr em evidência as fragilidades de uma União Europeia que raras vezes consegue manter a unanimidade em torno de uma questão que acaba por ser, em larga medida, determinada pelos Estados Unidos.
A existência de uma unidade política anódina, em particular nos assuntos externos, que se pretende fortalecer com a criação do cargo de um alto representante para os negócios estrangeiros – medida que contemplada pelo Tratado Reformado – é uma evidência grave. A problemática dos Balcãs é só mais um exemplo de divisões mais ou menos latentes no seio da UE, consequência óbvia da inexistência de unidade política, já para não falar da insipiência militar da UE.
Para além das questões externas a procura de uma maior homogeneização política verdadeiramente consolidada é fundamental para fazer da UE uma verdadeira potência económica que servirá de exemplo, em matéria de políticas económicas e sociais, para o resto do mundo que …

Ainda a independência do Kosovo

As consequências da independência do Kosovo não se fizeram esperar. Os ataques, perpetrados por cidadãos sérvios, às embaixadas de países que reconheceram a independência desta província da Sérvia são apenas a parte mais visível do problema que se gerou.
A instabilidade na zona dos Balcãs, parece uma inevitabilidade. Ao descontentamento dos sérvios, junta-se o forte apoio da Rússia que avisou não descartar a possibilidade de recorrer à força se assim for necessário, visto que existiu um claro atropelo às leis internacionais. A União Europeia, embora seja encetados esforços no sentido de parecer unida, não consegue esconder as divisões internas sobre esta matéria. Além disso, a União Europeia usa e abusa da possível adesão da Sérvia à UE como forma de atenuar a exasperação sérvia.
Neste contexto, as consequências da declaração unilateral do Kosovo são assinaláveis, porém, a possibilidade de virem a surgir consequências mais gravosas, não é, de todo, de excluir.
Não se exclui por completo …

Relatório da Sedes

O relatório da Sedes (Associação para o Desenvolvimento Económico e Social) veio constatar o óbvio: existe na sociedade portuguesa um “mal-estar profundo e difuso” e que pode degenerar numa crise social de consequências imprevisíveis. Ora, já há muito que os cidadãos se aperceberam do descontentamento que grassa no país, e já o perceberam porque vivem diariamente dificuldades que lhes impossibilita viverem outros estados de alma.
O Presidente da República fala novamente de trabalho como sendo a panaceia para todos os problemas. Mas a verdade é que são os portugueses que trabalham que tem vindo a suportar os custos da crise que insiste em não abandonar o país, e são os portugueses que trabalham que não vêem os seus salários crescerem, e em sentido inverso, assistem a um incomportável aumento do custo de vida num país cuja carga fiscal é onerosa, num contexto de endividamento de empresas e famílias. Não havendo panaceias, o trabalho dos portugueses está muito longe de ser a grande soluçã…