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Mensagens

O lado obscuro da globalização

Antes de mais importa salientar que a ordem mundial assente na hegemonia económica e tecnológica dos Estados Unidos tende a sofrer acentuadas alterações. Hoje é impensável falar-se em globalização e não se referir o papel preponderante de países como a China e a Índia, e em menor escala, mas de inegável importância, o Brasil, a Rússia, a África do Sul. Estes países têm conhecido um crescimento económico exponencial e há previsões para que, dentro de alguns anos, a China será o primeiro país a destronar os Estados Unidos, passando para primeira potência económica.
A globalização económica permitiu a países como a China e a Índia crescerem do ponto vista económico. Essa é seguramente um elemento a ter em conta quando se discute este fenómeno. Mas a globalização fez-se acompanhar pelo neoliberalismo que para muitos é uma panaceia global. Mesmo que esse neoliberalismo, assente em instâncias supranacionais como o FMI, degenere em fenómenos como o desemprego, a pobreza, ao consumismo desenfr…

A queda de um ministro, ou melhor, de dois

A saída de Correia de Campos da pasta da Saúde era já uma saída expectável. Não obstante as notícias que veiculam que foi o próprio ministro a pedir ao primeiro-ministro a exoneração de funções, a verdade é que já não existiam condições políticas para o ministro da Saúde manter-se no cargo.
O descontentamento que se generalizou relativamente às políticas da Saúde, atingindo proporções atípicas, dificilmente seria sustentável para o futuro do Executivo de José Sócrates. Dir-se-á que, apesar de tudo, existiu algum empolamento por parte da comunicação social da insatisfação dos portugueses em matéria de políticas de Saúde, mas a realidade parece indicar que poucos cidadãos entenderam as políticas do ministro para uma área de extraordinária sensibilidade.
Concretamente, seria difícil manter um ministro que era incessantemente acusado de falhar na condução das suas políticas. Seria difícil manter o ministro da Saúde quando praticamente todos os dias, nas últimas semanas, surgiam notícias de …

A independência do Kosovo

A complexa questão do Kosovo volta a estar na ordem do dia na semana em que líderes europeus tentam novamente concertar posições sobre o futuro do Kosovo. Antes de mais, importa fazer o seguinte enquadramento histórico: em 1913 nacionalistas albaneses conseguem a possibilidade de criarem um principado soberano, contudo, o território concedido aos albaneses compreende apenas metade dos albaneses. A restante metade encontrava-se espalhada, do ponto de vista étnico, pelo Montenegro, Macedónia, e evidentemente pelo Kosovo atribuído à Sérvia.
Hoje o Kosovo não admite outra hipótese que não seja a independência da Sérvia, nem que para isso tenha de o fazer unilateralmente. Por sua vez, a Sérvia, apoiada pela Rússia, mostra-se veementemente contra a independência do Kosovo. A posição da Sérvia poderá evoluir de formas diferentes, consoante a liderança for mais pró-Europa ou não; mas no essencial, a independência do Kosovo dificilmente será aceite pela Sérvia.
Recorde-se também que desde o temp…

O longo caminho até 2009

A vida do primeiro-ministro tem vindo a complicar-se nas últimas semanas. Numa primeira fase o primeiro-ministro conseguiu ardilosamente contornar algumas dificuldades, designadamente a justificação da forma de ratificar o Tratado de Lisboa e a localização do novo aeroporto internacional de Lisboa – depois de uma catadupa de imbecilidades proferidas por quem tinha responsabilidades sobre esta matéria de interesse estratégico para o país. Em suma, o primeiro-ministro teve um desempenho que lhe permitiu ultrapassar, sem grandes dificuldades, esses problemas.
Porém, estas últimas semanas foram pródigas em sinais negativos para o Governo. Por um lado, há que assinalar a sucessão de erros que se têm verificado na área da Saúde. O ministro tem vindo a terreiro justificar as suas políticas, acreditando piamente que tem os portugueses do seu lado, mas a verdade é que existe um indisfarçável sentimento de acentuada insatisfação relativamente aos encerramentos que se verificam na Saúde. Este des…

Descontentamento na Saúde

Estas últimas semanas têm sido marcadas pelo recrudescimento da insatisfação das populações relativamente às alterações na área da Saúde. Antes de mais, importa relembrar que esta área é de importância crucial para o bem-estar dos cidadãos, e como é evidente, um país cuja população não tem esse bem-estar não caminha no sentido do desenvolvimento. Uma sociedade doente não se coaduna com o progresso.
Por outro lado, o envelhecimento das populações e as inovações na medicina acompanhadas por um acentuado avanço tecnológico tem contribuído para um aumento no que diz respeito ao acesso a serviços médicos. São as sobejamente conhecidas as dificuldades de sustentabilidade desta sensível área, e foram vários os Governos que tentaram, em vão, inverter o descalabro das contas na área da Saúde. O aumento exponencial do custo dos cuidados de saúde exige uma resposta que permita a viabilidade do SNS.
O actual Executivo está a levar a cabo um conjunto de mudanças cuja pertinência tem vindo a ser post…

Partidos políticos e o poder da imagem

O debate político tem sofrido um empobrecimento constrangedor. Esse empobrecimento é visível na Assembleia da República, e torna-se exasperante no seio dos partidos políticos. Em bom rigor, importa salientar que existem honrosas excepções que são transversais a todo o espectro político. Contudo, é evidente que a artificialidade e a primazia do espectáculo caracterizam os dois principais partidos políticos: o PS e o PSD.
Dá-se particular ênfase à imagem em detrimento do debate de ideias e da pluralidade de opiniões. Em traços gerais, impera, em ambos os partidos, o culto da imagem que é acompanhado pelos soundbytes do costume e pelo recurso incessante a artifícios semânticos. Nesta equação não há lugar para a discussão aprofundada dos reais problemas do país – ou por inabilidade ou porque não há interesse em se discutir o que é crucial para o desenvolvimento de Portugal. Prefere-se, ao invés, a crítica pela crítica – por parte da oposição –, ou a apresentação, nos meios de comunicação s…

O optimismo do Governo

O Governo, não obstante os sinais evidentes de uma crise financeira, mantém os elevados níveis de optimismo. Quanto à economia portuguesa, o ministro das finanças e o primeiro-ministro têm sublinhado os sucessos da redução do défice e do crescimento da economia portuguesa para o ano de 2008. Infelizmente, a conjuntura económica internacional vem pôr em causa o optimismo do Executivo.
Esta semana tem sido pródiga em acontecimentos que terão um impacto negativo nas previsões optimistas do Governo. A reserva federal americana antecipou, esta semana, o corte nas taxas de referência em 0,75 pontos, o que indicia a inevitabilidade dos EUA entrarem em recessão. Os sinais são de tal forma reveladores da inevitabilidade de uma recessão que o nervosismo e a desconfiança tomaram conta dos mercados. As notícias de quedas das bolsas são inquietantes.
Recorde-se que a crise da economia mundial tem origem no laxismo na concessão de crédito de alto risco, a já famigerada crise no mercado de subprime, e…