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Mensagens

O definhar dos partidos políticos

Parece haver um consenso quanto ao definhar dos partidos políticos, designadamente em relação aos os dois grandes partidos: PS e PSD. Em concreto o que se verifica é uma frugalidade de ideais que é perfeitamente exasperante e indiciadora da ausência de rumo dos dois principais políticos e a subsequente degradação da qualidade da própria democracia portuguesa.
Analisando caso a caso, verifica-se que o PS é um partido encerrado em si mesmo, ou melhor, encerrado nos ditames de uma liderança pouco adepta do diálogo e da troca de ideais. O PS limita-se a seguir as instruções do líder. Não há oposição interna – exceptuando a presença sempre activa do deputado Manuel Alegre –, e o partido parece sentir-se bem com todas as más decisões do Governo e com as suas inefáveis incongruências. O PS é um partido vazio, um partido de pacotilha, uma quase nulidade política que só dá sinais de vida quando vem corroborar caninamente os ditames governamentais, ou quando, esporadicamente, o deputado Manuel A…

União Europeia e os desafios da globalização

A importância de uma discussão séria e aprofundada sobre a União Europeia é insofismável. Não apenas por razões intrínsecas ao Tratado de Lisboa que vai ser ratificado por via parlamentar, mas porque essa discussão tem sido incessantemente adiada. O desinteresse dos cidadãos e o seu desconhecimento sobre esta matéria são apontados como sendo os motivos que justificam a ausência de um debate mais alargado sobre a UE. O que fica amiúde por dizer é que o desinteresse dos cidadãos europeus é consequência da ausência de um projecto europeu que permita fazer face aos desafios da globalização e que, desse modo, tranquilize e afaste os receios de um vasto conjunto de europeus.
Com efeito, o medo de perder o emprego, o medo das deslocalizações de empresas e de postos de trabalho, da concorrência dos países asiáticos, do dumping social, e da emigração determinam a percepção que os cidadãos europeus têm da Europa. Além do mais, as incertezas que rodeiam o modelo social europeu a preponderância de…

Prioridades invertidas

O Governo decidiu baixar o IVA dos ginásios, apesar da medida parecer de pequena monta, a verdade é que essa redução de impostos tem um impacto significativo para os cofres do Estado. E mais: é o significado de uma medida desta natureza que incomoda por se verificar uma total inversão de prioridades por parte do Governo.
É evidente que esta decisão é indissociável de uma filosofia de saúde, higiene e bem-estar que acabará por deixar de ser uma escolha dos cidadãos, haverá de ser imposta. Nada disto surpreende quando se assiste às corridas do primeiro-ministro, pena é que a corrida do primeiro-ministro para o desenvolvimento se faça a passo de caracol, e com cada vez mais frequência, em marcha-atrás.
Por outro lado, é exasperante verificar as dificuldades que assolam a vidas dos portugueses e a elevada carga fiscal que é praticada no nosso país, Nestas circunstâncias, é inadmissível que o Governo escolha como prioridade os ginásios e se esqueça de outros produtos e serviços que são uma p…

A necessidade de mudança da América

Aquilo que tem marcado a campanha de democratas e republicanos na senda das eleições a decorrem no final do ano é a necessidade de mudança. Todos os candidatos têm feito da mudança a sua bandeira para conquistar um lugar nas próximas eleições. A necessidade de mudança vem na sequência dos fracassos colossais da administração Bush.
Com efeito, a administração Bush deixou, embora ainda não tenha cessado funções, uma marca extraordinariamente negativa para os americanos. A guerra do Iraque, as políticas económicas e a imagem deteriorada dos EUA a nível global, são os paradigmas de um fracasso que tem custos onerosos para os cidadãos norte-americanos, e tendo em conta o peso da política externa americana, para o mundo.
É na sequência dos erros da administração Bush que surge a necessidade de mudança. Os americanos estão cansados de tanta inépcia e procuram, quer do lado democrata quer do lado republicano, um candidato que seja responsável por uma nova política económica, por uma imagem dife…

A grande farsa

A confiança dos portugueses na economia, na classe política, no país é quase nula, e simultaneamente instala-se o pessimismo. As razões que explicam este triste estado de coisas são inúmeras e variam entre os sacrifícios pedidos aos portugueses em troco não se sabe bem do quê e um Governo que veicula descaradamente a mentira.
Ora, são sobejamente conhecidos os efeitos nefastos do pessimismo, este estado de espírito, se quisermos, asfixia lentamente a esperança que os portugueses possam ter um futuro mais auspicioso. E importa referir os responsáveis pela disseminação do pessimismo – a classe política, e, de certo modo, o egocentrismo de uma parte da classe empresarial que adopta a precariedade como estilo de vida, perdendo assim o respeito pelos trabalhadores, e mais do que isso, perdendo o respeito por si própria.
A classe política, havendo algumas, poucas, mas ainda assim honrosas excepções, é o principal responsável pela disseminação do pessimismo. E o Governo, nesse particular, tem …

Hospital do Seixal: mais uma miragem no deserto da Margem Sul?

O ministro Mário Lino, que tanto tem sido criticado por ter colocado o epíteto de deserto à Margem Sul, afinal de contas tinha razão. A Margem Sul é, de facto, um deserto; tudo leva a crer que isso é um facto, e tanto mais é assim que o Governo não quer gastar dinheiro no deserto, o que justifica o adiamento inaceitável da construção do novo hospital do Seixal. Vem isto a propósito das declarações do autarca do Seixal ao jornal Público. O Presidente de Câmara do Seixal, Alfredo Monteiro, afirma que o Governo está a falhar no cumprimento dos compromissos assumidos com a autarquia e com a Margem Sul, e mais: a ausência deste projecto no Orçamento de Estado de 2008 é um mau prenúncio.
Mas voltando ao ministro das Obras Públicas, muitos dirão que o Eng. Mário Lino já foi criticado o suficiente. Mas a verdade é que este texto não configura apenas uma crítica, mas talvez explane um conjunto de evidências. O ministro das Obras Públicas fez questão de salientar a ausência de comércio, indústri…

A importância de se discutir a Europa

Muito se tem discutido a pertinência de um referendo sobre o Tratado Reformador, ou para muitos sobre o irmão gémeo do defunto Tratado Constitucional. Já aqui se disse que o referendo serviria para aproximar os cidadãos da União Europeia e que a inexistência desse referendo poderá lançar uma maior desconfiança e um maior desinteresse sobre a UE. O argumento que veicula a ideia de que o referendo é uma inutilidade e mais a mais quando existe um profundo desconhecimento e desinteresse sobre a UE só perpetua o desfasamento entre as instituições europeias e os cidadãos.
Discutir a Europa, e no caso concreto a União Europeia tem toda a importância na medida em que permite aos cidadãos se sentirem mais próximos de um conceito que para muitos é demasiado vago. A UE só pode ser construída a partir de um sentimento de pertença dos seus cidadãos, não querendo com isto diminuir as várias nacionalidades que fazem parte da UE. E esse sentimento de pertença é indissociável do conhecimento mais aprof…