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Mensagens

Desejos para 2008

Com o aproximar do final de ano, é altura de se perspectivar o ano que se segue, e inevitavelmente acaba-se por se formular desejos para esse ano que está prestes a iniciar. Infelizmente, tudo indica que o ano que agora está a chegar não vai ser o ano da retoma económica. O ano de 2008 será muito provavelmente um prolongamento do ano que agora finda: novas dificuldades para os cidadãos, irreversibilidade do problema do desemprego, profusão de novas formas de precariedade laboral, e por aí fora.
Já não seria mau que o primeiro-ministro levasse a cabo, durante o ano de 2008, as reformas prometidas para a Administração Pública. Este é um problema premente e cujas indecisões custam caro ao país. Também seria útil que o famigerado pacto para a Justiça fosse além do mero acordo de intenções entre os dois principais partidos políticos.
Em todo o caso, a Saúde necessita de melhores dias para 2008. Importa ter presente que o encerramento de unidades que prestam serviços fundamentais à salvaguard…

Ainda o BCP

A polémica em torno do Banco Comercial Português – agora com a polémica sobre a lista para o conselho de administração do banco – tem o condão de mostrar como uma questão do maior banco privado português se tem politizado nas últimas semanas. E mais: volta-se a falar com acentuada insistência no famigerado bloco central de interesses.
Há que assinalar que o bloco central não é propriamente um mito político, com a particularidade de que hoje já nem se tenta escamoteá-lo. O comportamento dos dois principais partidos políticos é sintomático de uma forma de fazer política que ignora os interesses do país. Em traços gerais, faz-se política como um meio de se chegar uma posição e dessa forma integrar aqueles que, por razões de amizade ou por uma questão de reciprocidade, fazem parte de um grupo exclusivo.
Não admira, pois, que o descrédito em relação à classe política, designadamente, no que diz respeito aos principais partidos políticos se generalize. Ninguém pode honestamente argumentar que…

A morte de Benazir Bhutto

Benazir Bhutto, que já tinha sido chefe de governo, candidatava-se novamente a esse cargo nas próximas eleições, marcadas para o dia 8 de Janeiro, no Paquistão. Benazir Bhutto tinha sido alvo de vários atentados terroristas e um desses atentados custou-lhe agora a vida. O futuro do Paquistão surge assim como muito sombrio.
A ex-primeira-ministra Benazir Bhutto tinha encetado tentativas de fazer um acordo com o presidente Musharraf, essas tentativas nunca tinham sido verdadeiramente bem sucedidas. Efectivamente, a estabilidade do Paquistão poderia precisamente vir das boas relações entre a ex-governante e o actual presidente. Com a morte de Benazir Bhutto a instabilidade vai seguramente se instalar de forma indelével no Paquistão. O facto de Bhutto ser mulher e pró ocidente causava profundo desagrado aos islamitas radicais e a seu regresso à política do Paquistão não era vista com bons olhos pelos militares. Hoje, dia 27 de Dezembro, foram bem sucedidos na sua missão.
A pior notícia para…

Novas oportunidades, velhos hábitos

O problema que é invariavelmente apontado como sendo responsável pela baixa produtividade e com a falta de apetência competitiva da economia portuguesa é a fraca qualificação dos recursos humanos. De facto, o nosso país caracteriza-se por debilidades na formação e qualificação dos recursos humanos. Os números da OCDE, que denunciam a fraca qualificação dos trabalhadores portugueses, envergonham o país – eternamente mal colocado nos rankings – e, com alguma naturalidade, embaraçam os governos, em particular aqueles governos que vivem da solidez da imagem construída artificialmente,
O actual Executivo afirma ter intenções de debelar o problema da qualificação dos portugueses e acrescenta aquele toque final das novas tecnologias. A cegueira ideológica de alguns responsáveis governativos não lhes permite perceber que, por um lado, estão a dar a machadada final na qualidade da Educação, e por outro, pretendem resolver a qualificação dos adultos com paliativos incipientes. O programa Novas O…

União Europeia e globalização

O fenómeno da globalização é indissociável do modelo de desenvolvimento que se almeja para a União Europeia. A globalização, em particular na sua vertente económica, abre novas oportunidades num contexto de mercados abertos em antítese ao proteccionismo; mas acaba invariavelmente por desvirtuar a importância dos indivíduos, designadamente dos trabalhadores, mas também dos que mais necessitam de ajuda.
Parece que o sucesso das economias é, de alguma maneira, inconciliável com o modelo social europeu. Tanto é assim que verifica-se o aumento de desigualdades em vários países europeus – desigualdades que são o resultado da perda de direitos dos trabalhadores, e o desaparecimento de uma vontade política para proteger aqueles que mais necessitam. Por outro lado, a preponderância dos grandes grupos económicos determina, amiúde, as próprias decisões políticas, nem que seja na exacta medida de respeitar as “leis” dos mercados. O estatuto dos mercados, que se aproxima perigosamente a uma espécie…

As diferentes formas de precariedade

A precariedade do emprego – um autêntico flagelo social, a par do desemprego – não se manifesta apenas na forma de vínculos precários. Na verdade, a próprio modo de estar do trabalhador vai sofrendo um vasto leque de metamorfoses, que vão desde o desânimo, passam pela esperança e eventualmente por alguma euforia, mas desemboca invariavelmente no despedimento ou na perpetuação da precariedade. São tantas as incertezas, são tantas as frustrações que se torna simplesmente impossível não se discutir o ónus da precariedade, ou seja, a insegurança mais gritante.
Pretende-se agora alargar as razões para o despedimento, designadamente através de argumentos relacionados com a adaptação. É indubitável que as leis laborais não são as melhores e nem tão-pouco servem o país. Mas aquilo que se tem vindo a verificar nos últimos anos é um incremento assustador da precariedade laboral, em particular nos jovens trabalhadores. Ora, parece que a premissa segundo a qual a precariedade começa a ser a regra …

2007, ano de resultados?

A resposta à pergunta colocada no título é positiva para o Governo, aliás, o próprio primeiro-ministro apelidou o ano que agora finda como sendo o ano dos resultados. A generalidade de nós se interrogará – mas de que tipo de resultados é que o primeiro-ministro estará a falar? É claro que o primeiro-ministro procurou fugir ao enorme rol de insucessos que caracterizou a acção do Governo durante este ano; porém, é indecoroso ouvir o primeiro-ministro falar de resultados sociais.
O país, todos sabemos, e muitos sentimos, tem vindo a caminhar em sentido oposto ao desenvolvimento. O retrocesso é a palavra de ordem na vida da generalidade dos cidadãos. Consequentemente, é quase caricato falar-se em resultados, designadamente em resultados sociais. Ora, recapitulemos: o desemprego não é um bom resultado para o Governo, cuja política fomenta o aumento desse flagelo social; a precariedade do emprego alastra-se de forma endémica, o que não é resultado muito positivo para o Governo; a construção …