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Mensagens

E novamente, James Watson

Há notícias que sofrem caricatas reviravoltas. E o caso de James Watson e as suas declarações, em Outubro, sobre a suposta supremacia dos brancos em relação aos negros, no que toca à inteligência. As afirmações feitas por este reputado cientista que indicavam que os negros padeceriam de uma espécie de défice de inteligência em relação aos brancos, foram polémicas, para não dizer mais. Entretanto descobriu-se que James Watson afinal tem genes negros.
Soube-se agora que o cientista, autor da polémica, talvez terá tido um bisavô africano, e que 16 por cento dos genes de Watson são de origem negra. Esta caricata revelação vem confirmar que as questões genéticas e da inteligência não podem ser levianamente abordadas, muito menos por alguém com o vasto currículo do cientista norte-americano. Virou-se o feitiço contra o feiticeiro.
Mais do que o pedido de desculpas de James Watson, este achado no ADN de Watson dá o assunto por encerrado. De qualquer modo, as revelações agora vindas a lume most…

Governo: entre o desgaste e a negligência

O Governo, designadamente o primeiro-ministro, tem-se ocupado da presidência portuguesa da União Europeia. Este facto é natural e não se pode asseverar o contrário; todavia, o Governo, na sua tarefa de presidir à União Europeia, acabou por negligenciar a governação interna. Assim, é inevitável que o desgaste resultado da tarefa de presidir à UE, tenha consequências directas – e já está a ter – na governação do país.
Por outro lado, é notório o esforço feito pelo primeiro-ministro no sentido de se vangloriar com os sucessos obtidos na presidência da UE, e, de facto, José Sócrates tem desempenhado bem o seu papel e não é isso que está em causa; o que não pode ser ignorado é que os sucessos europeus do primeiro-ministro servem na perfeição para escamotear os insucessos internos do actual Executivo.
Além do mais, a negligência do governo repercute-se nas declarações incipientes dos membros do governo, das quais o melhor exemplo tem-nos sido dado pelo ministro das Obras Públicas, Mário Lino.…

Cimeira UE-África: conclusões

Chegou ao fim a mediática e polémica cimeira UE-África. A cimeira, segundo a presidência portuguesa da União Europeia, foi um sucesso. Discutiu-se com particular ênfase a questão dos direitos humanos, não existiram assuntos considerados tabu, e o polémico presidente do Zimbabué acabou por ser considerado por muitos participantes como persona non grata. Além disso, e concretamente, a presidência portuguesa da UE congratulou-se com o facto de se ter discutido a intrincada questão e do Zimbabué.
Não obstante o sentimento de optimismo que caracterizou a cimeira e as declarações de regozijo da presidência portuguesa, ainda é cedo para se poder retirar ilações consistentes sobre o resultado da cimeira. De qualquer modo, existe um aspecto indesmentivelmente positivo que resultou desta cimeira: a visibilidade que foi dada a assuntos que, por vezes, acabam por se misturar com as restantes adversidades que assolam o mundo, e que por isso mesmo, passam despercebidas.
Com efeito, o facto de se ter …

Cimeira UE-África

Está a decorrer, em Lisboa, a cimeira UE-África – considerada pelo Governo português como sendo um dos grandes momentos da actual presidência europeia. Para além das polémicas com a vinda de chefes de Estado cuja governação raia o despotismo, para dizer o mínimo; a cimeira entre a União Europeia e África é uma oportunidade para que os dois continentes possam empreender esforços no sentido de estreitar as relações entre a Europa e África.
Certamente que a discussão não se distanciará muito do problema da pobreza e das desigualdades que assolam o continente africano; a promoção da democracia; o respeito pelos direitos humanos; a condição das mulheres em alguns países africanos; as alterações climáticas; e naturalmente, os interesses económicos de ambas as partes e a recente preponderância de países como a China nas economias africanas. Mas existe um problema que envergonha África e o Mundo, mas que parece que não faz parte da agenda oficial da cimeira – trata-se do problema do Darfur.
Esp…

O peso da insignificância

A polémica em torno da taxa sobre sacos de plástico, ou dito de outra forma a celeuma em volta do “diz que não disse” do Governo sobre uma possível taxa sobre sacos de supermercado, revela a profunda exiguidade dos assuntos que são discutidos no nosso país. É evidente que as questões ecológicas têm toda a relevância, mas não se percebe como é que uma questão que podia ser resolvida de forma eficaz e célere, transforma-se no grande tema de debate do país.
É claro que as dívidas da Câmara Municipal de Lisboa e as birras políticas sobre as mesmas não têm a mesma gravidade do que aplicação de taxas sobre sacos plásticos; nem tão-pouco a Cimeira Europa-África terá algum interesse, e o mesmo se aplica ao dinheiro retirado ao erário público para pagar a defesa de uma autarca que fugiu do país e regressou, exultante, para reconquistar a Câmara. E o que dizer do incremento da criminalidade violenta que muitos insinuam ser o resultado de um determinado empolamento de alguma comunicação social?
Na…

A ameaça iraniana

O relatório recentemente divulgado dos serviços secretos americanos vem relançar uma nova luz sobre a ameaça nuclear iraniana. Segundo esse relatório, o Irão suspendeu o seu programa nuclear com fins militares em 2003. O mesmo relatório adianta que, na eventualidade de um relançamento do programa nuclear de natureza militar, dificilmente o Irão terá a capacidade de desenvolver uma bomba nuclear antes de 2015.
Ora, as conclusões do relatório dos serviços secretos americanos vêm pôr em causa a própria estratégia da Administração Bush para o Irão. O presidente americano tem-se mostrado incansável na tarefa de mostrar os perigos de um Irão nuclear, e mais, não esconde que a sua Administração não põe de parte uma solução militar. Efectivamente, o presidente Bush parece por vezes adoptar uma retórica de algum empolamento da questão do nuclear no Irão. E, de facto, o relatório dos serviços secretos vem precisamente demonstrar algum empolamento no discurso do presidente americano.
Escusado será…

A derrota de Chávez

As propostas de Hugo Chávez, presidente da Venezuela, que foram sujeitas a consulta popular sofreram uma rejeição do povo venezuelano. Essas propostas incluíam o aumento do mandato de 6 para 7 anos e a inexistência de limites na reeleição – talvez o ponto mais polémico das alterações legislativas propostas pelo presidente venezuelano. A derrota de Chávez foi por uma margem mínima, mas ainda assim foi a primeira derrota desde que Chávez chegou ao poder na Venezuela.

As análises feitas à posteriori, oscilam entre a esperança de que este sinal de que o povo venezuelano quer a democracia para o seu país, e entre a cautela de quem considera que este momento eleitoral não é mais do que um pequeno obstáculo no caminho de Chávez. Importa sublinhar que muitos venezuelanos se abstiveram desta decisão de aceitar ou não as propostas do presidente da Venezuela.

De notar que Hugo Chávez aceitou a derrota e, inclusivamente, apelou à aceitação de todos dos resultados. Contudo, parece evidente, até porq…