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Mensagens

A resposta de Chávez

Hugo Chávez, o inefável presidente da Venezuela, tem vindo, ao longo destes dias subsequentes à Cimeira Ibero-Americana a intensificar a sua “resposta” ao rei de Espanha. Escusado será relembrar o episódio que marcou a dita cimeira, em que o Rei Juan Carlos se insurgiu contra as provocações reiteradas de Chávez. O que é certo é que o mesmo Chavéz não se tem coibido de responder ao monarca espanhol.
A última ameaça do presidente venezuelano recai sobre as relações com Espanha, que segundo Chávez serão revistas. Parece que Hugo Chávez vai rever as relações económicas com Espanha, mais concretamente promete dificultar a vida às empresas espanholas a funcionarem na Venezuela. Curiosamente, Espanha é um dos principais parceiros comerciais da Venezuela. Vamos ver até que ponto Hugo Chávez está disposto a sacrificar essa mesma relação comercial.
Por outro lado, não se pode esperar muito do mesmo Chávez que quer transformar, e tem-lo feito, a Venezuela numa nova Cuba – com a vantagem em relação…

A necessidade dos cortes na despesa

Quando se discute, pelo menos neste blogue, a pertinência ou falta dela nos cortes que o Governo tem levado a cabo, com o objectivo de reduzir a despesa, não se procura apenas contrariar displicentemente esses mesmos cortes. O que existe é uma diferença assinalável entre a necessidade de redução da despesa e sua proficuidade.
Nem tão-pouco se pretende, mais uma vez neste blogue, fazer as vezes da oposição, ou pelo menos de alguns partidos da oposição, que clamam a necessidade de se reduzir a despesa, para depois, de forma paradoxal, denunciar toda e qualquer tentativa nesse sentido.
É possível conciliar a defesa da redução da despesa – uma necessidade indubitável até para a própria viabilidade do Estado e rejeitar algumas políticas que incidem sobre cortes cegos e prejudicam sobremaneira a vida dos cidadãos. Na área da saúde, por exemplo, aceita-se e reconhece-se a dificuldade de gestão de um ministério tão intrincado, mas isso não quer dizer que todas as políticas do Governo para a saú…

Ota ou Alcochete?

A resposta permanece uma incógnita, mas de uma coisa podemos estar certos: o processo de decisão sobre a localização do novo aeroporto de Lisboa foi conduzido de forma absolutamente atabalhoada. Consequentemente quando se fala do novo aeroporto é inevitável não referir a trapalhada levada a cabo pelo ministro das Obras Públicas, Mário Lino. Independentemente da localização, cuja sustentação é técnica, a forma como o processo foi conduzido deu-nos a conhecer um mau político – o ministro Mário Lino.
Agora a polémica reacendeu-se com um estudo sobre o traçado do futuro TGV apresentado pela Rave. Este estudo indica uma alternativa ao traçado que faz parte do estudo da CIP. As reacções não se fizeram esperar: o Governo é acusado de tentar deturpar o estudo da CIP que propõe Alcochete como localização para o aeroporto. O presidente da CIP e o presidente da Associação Comercial do Porto alegam que o Governo tem como intenção manter a obstinada localização da Ota, não obstante os estudos que a…

Um passo atrás para a democracia

Já aqui se discutiu a crise que assola o Paquistão, depois do general Pervez Musharraf ter decidido impor um estado de emergência. Esta crise também é sintomática da falta do afastamento do Paquistão em relação aos princípios democráticos. Aliás, não terá sido por mero acaso que o presidente paquistanês tem afastado premeditadamente os líderes da oposição ou que colocou juízes em prisão domiciliária. A isto acrescente-se a inexistência de liberdade de imprensa e não se augura que o Paquistão retome o caminho da democracia.
O presidente do Paquistão instaurou o estado de emergência em nome de uma suposta segurança do Estado paquistanês. O que está em causa, segundo Musharraf, é um incremento da insegurança do país resultado do islamismo radical e da ameaça talibã no vizinho Afeganistão. Nem por isso deixa de ser verdade que o islamismo radical existe contundentemente no país, nem que a ameaça talibã seja uma realidade; mas também parece ser ponto assente que as medidas levadas a cabo po…

O momento da Cimeira Ibero-Americana

Não restarão quaisquer dúvidas relativamente ao momento que marcou a XVII Cimeira Ibero-Americana, quando o rei Juan Carlos de Espanha mandou calar o inefável Presidente venezuelano, Hugo Chávez. A situação em si causou algum incómodo entre os dois países, e uma risada geral no resto do mundo. Recorde-se que depois de Chávez chamar “fascista” ao ex-presidente do governo espanhol, José Maria Aznar, o rei espanhol foi incapaz de se conter, e mandou Chávez calar-se.
O que o rei espanhol disse foi o que muitos líderes mundiais terão sentido, por algum momento, vontade de fazer. Mas o momento que marcou a Cimeira, é também sintomático de algum mal-estar entre países que seguem uma linha democrática e liberal, e outros países, designadamente a Venezuela, Cuba e Bolívia que seguem uma linha antiliberal e anticapitalista que colide amiúde com valores democráticos considerados essenciais.
É, apesar de tudo, indubitável que as relações económicas entre estes dois blocos de países mantêm-se relati…

A instrumentalização dos impostos

Esta semana o ministro das Finanças afirmou, de manhã, que não havia margem para redução de impostos até 2010, mas, à tarde desse mesmo dia, já veio refutar essa afirmação, alegando que afinal não tinha proferido essas palavras. Este foi um lapso do ministro? Terá sido uma inconfidência inoportuna? Ou será que fomos todos nós que interpretámos mal as palavras do ministro? A resposta parece óbvia: o que foi dito de manhã representa a perspectiva do ministro – uma baixa de impostos só em 2010, se houver margem orçamental; mas a questão é que este Governo não esconde a instrumentalização que vai fazer dos impostos, e daí resultam as declarações do ministro a dar o dito pelo não dito.
De facto, a questão dos impostos é claramente manipulada por razões eleitoralistas. Não restarão quaisquer dúvidas que o actual Governo, tendo como meta uma reeleição em 2009, não se vai coibir de utilizar uma baixa de impostos. Aqui não se critica a redução de impostos, critica-se sim a utilização dessa baix…