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Mensagens

Conflito israelo-palestiniano e os radicalismos que lhe subjazem

Quando se fala em Médio Oriente, acaba-se invariavelmente por referir o conflito israelo-palestiniano, e quando assim é, não raras vezes insiste-se na radicalização de posições – ou se entende incondicionalmente o lado palestiniano ou se faz o mesmo com as razões israelitas. Esta é, claramente, uma questão complexa e que acarreta dificuldades nas possíveis soluções para o infindável conflito que parece separar indelevelmente israelitas e palestinianos.

É possível compreender os argumentos de uns e de outros, porém, não se pode aceitar, que para se atingir um determinado fim, se recorra ao terrorismo. Essa deverá sempre ser uma posição inexpugnável.

Se somos capazes de perceber as razões de um povo que tem de viver sob o jugo de um outro povo (israelita no caso em discussão), com manifestas dificuldades económicas e vendo que a possibilidade de viver num Estado independente é-lhe reiteradamente vedada; não é menos verdade que reconhecemos as dificuldades de um povo minoritário que luta d…

A homenagem da Igreja

Ontem foram beatificados cerca de 500 “mártires” da guerra civil espanhola, pertencentes a uma facção apoiante de Franco. É curioso a ocorrência desta beatificação numa altura em que o governo espanhol pretende aprovar uma lei que promova a memória das vítimas de Franco. Ora, esta situação (encarada como sendo apenas uma coincidência) não tinha necessidade de existir – a Igreja católica insistiu em levar a cabo a beatificação na mesma altura em que Espanha se vê confrontada com a memória de um passado muito difícil.
Numa outra perspectiva, a Igreja cai novamente numa polémica que afecta um Papa que parece longe do Papa João Paulo II. Não se percebe esta homenagem a uma facção de Franco quando os espanhóis se debatem com um passado difícil. Refira-se que a guerra civil espanhola resultou na morte e assassínios de combatentes de ambas as partes – foram cometidas atrocidades, sem se poder acusar exclusivamente uma das partes.
De qualquer forma, o Papa Bento XVI foi imiscuir-se numa questão…

Reminiscências da guerra-fria

O Presidente Russo, Vladimir Putin, fez declarações inquietantes por altura da cimeira Europa-Rússia. Nessas declarações Putin faz uma comparação entre a intenção americana de instalar um escudo antimíssel na Europa e a crise de 1962 em Cuba que quase culminou com uma guerra nuclear. A comparação entre uma situação e outra é estapafúrdia, para não ir mais longe. Ora, tanto mais é assim que a intenção americana prende-se com objectivos de protecção e não objectivos bélicos; além disso, a Europa beneficiaria com a instalação de um escudo antimíssel. A crise em Cuba no principio dos anos 60 tinha uma natureza bélica e de provocação.

Por um lado, podemos encarar estas declarações de Putin como sendo apenas uma manobra de retórica com o intuito de assumir uma posição prevalecente. Mas por outro lado, estas observações inserem-se num contexto de hegemonia russa e de provocações deste Presidente com tiques czaristas.

Não são apenas as perseguições internas, com manifesto desrespeito pelos dire…

Estatuto do aluno

Esta semana foi aprovado, no parlamento, o estatuto do aluno, que entre outras medidas, prevê o fim da importância das faltas. Ou dito de outro modo, significa que as faltas, justificadas ou não, deixaram de contar para a aprovação dos alunos. E no caso de o aluno cometer um elevado número de faltas, está prevista a aplicação de testes – uma espécie de recuperação. Ora, esta medida impõe, desde já, dois comentários: em primeiro lugar, a escola perdeu grande parte do seu significado e importância e esta medida dá um forte contributo nesse sentido; e em segundo lugar, estamos todos curiosos por ver que tipo de testes vão ser aplicados aos alunos que padecem de absentismo.

As políticas para a educação deste governo, não são, de facto, muito diferentes das políticas para outras áreas; pelo menos no que diz respeito à arrogância e prepotência que caracterizam os seus protagonistas. Recorde-se a forma pouco responsável (apesar de haver quem tenha exultado o estilo da ministra) em como a mini…

Fusão entre BPI e BCP

Hoje foi notícia, com acentuado destaque nos meios de comunicação social, a proposta de fusão do BPI com o Millenium BCP. Esta proposta não apareceu neste momento fruto do acaso. Relembre-se a crise que tem fustigado o BCP. Depois de acérrimas lutas internas e após os alegados empréstimos ao filho de Jardim Gonçalves a um accionista. Consequentemente, o mau momento do BCP foi determinante para o surgimento desta proposta de fusão do BPI. Esta operação acaba por surgir depois de tentativas no passado mais recente de uma OPA sobre o BPI desencadeada precisamente pelo BCP.
De um modo geral, não se antevêem problemas significativos decorrentes desta hipotética fusão. A possibilidade de fusão destes dois bancos portugueses (havendo naturalmente accionistas estrangeiros, e no caso do BPI um dos grandes accionistas é espanhol, por exemplo), talvez seja uma boa oportunidade para o BCP ultrapassar uma crise que atingiu proporções um pouco alarmantes. Note-se que a questão de empréstimos declara…

Os perigos do Irão

Esta semana foi notícia (muito discreta) o desenvolvimento iraniano de mísseis que já poderão atingir alguns países do leste europeu, e que essa tecnologia permitirá atingir as principais cidades norte-americanas em 2015. Se a isto acrescentarmos o desenvolvimento tecnológico levado a cabo pelo regime iraniano no sentido de conseguir atingir metas nucleares, estamos perante uma situação muito preocupante para a estabilidade e paz no mundo.

O Irão, regime teocrático, tem reiteradamente desafiado a comunidade internacional com as suas intenções no desenvolvimento de tecnologia nuclear. Mas a história recente do Irão presenteia-nos com diversas situações de desafio à comunidade internacional. O radicalismo inerente às políticas iranianas traduzem-se em apoios a grupos terroristas – o hezbollah, por exemplo, tem sido fortemente apoiado pelo Irão. Além disso, a ingerência iraniana na maioria xiita do Iraque, e as intenções hegemónicas do Irão que se pretende apetrechar de armamento nuclear …

A pequenez das ideias

A pequenez das ideias é um facto recorrente no nosso país, por conseguinte, não se está propriamente a dar uma novidade. Mas esta semana voltamos a assistir a um débil exercício intelectual com declarações que indicam a “necessidade” de se conter aumentos salariais – designadamente no que diz respeito ao aumento do vergonhoso salário mínimo nacional –, e à possibilidade de ser acabar com alguns dos feriados que fazem parte do calendário. Um putativo representante máximo do sector têxtil presenteou o ministro Manuel Pinho com estas ideias para aumentar a competitividade do sector.

Assiste-se novamente à pequenez das ideias de que padece alguma classe empresarial (havendo, felizmente, notáveis excepções), mas fica novamente em evidência a quase total ausência de visão estratégica de alguns empresários. É curioso verificar que o que sobressai deste inúteis encontros entre ministros incipientes e empresários desprovidos de ideias é invariavelmente a ideia de que é necessário aumentar a com…