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Mensagens

Seja bem-vindo Sr. Mugabe

Esta frase, apesar de polémica, vai ser certamente proferida durante a cimeira Europa-África. Pode-se recorrer a uma multiplicidade de subterfúgios para justificar a presença do ditador Robert Mugabe na tal cimeira: a real politik, o facto da cimeira representar uma tentativa de diálogo entre a Europa e África (designadamente com países governados por corruptos e ditadores), o pragmatismo, enfim, tentar-se-á justificar a presença do tirano do Zimbabué de todas as formas e feitios, mas a presidência portuguesa da União Europeia não se livra do constrangimento, polémica e das dificuldades diplomáticas que vão caracterizar a cimeira.

Em primeiro lugar, importa referir que a presença de Mugabe nunca poderia ser consensual: Gordon Brown, primeiro-ministro britânico, já afirmou não se deslocar a Lisboa para a cimeira, do mesmo modo, Mugabe é um daqueles casos que semeia divisões entre os líderes europeus. O regime de Mugabe não prima pela originalidade, é mais um ditador de trazer por casa q…

PSD: o dia seguinte

Depois da vitória de Luís Filipe Menezes surgem as reacções a essa eleição de um novo líder do PSD. Mário Soares foi contraditório e pouco claro no seu comentário sobre a eleição de Luís Filipe Menezes, aliás, a utilização da palavra “desgraça” é bastante elucidativa do pensamento de Mário Soares sobre o assunto, não se percebe, contudo, as contradições no discurso desta figura do PS em que fez elogios a Menezes no inicio do Verão. Mas se a opinião de Mário Soares vale o que vale, as opiniões e análises de personalidades ligadas ao PSD denotam que a tão almejada unidade do partido não passa de uma utopia.

Uma das primeiras reacções veio de José Pacheco Pereira, que com a sensatez e congruência a que nos habitou fez a sua análise quer das eleições, quer do dia seguinte. Agora foi Marcelo Rebelo de Sousa a apontar o dedo a Manuela Ferreira Leite como sendo uma das responsáveis pela derrota de Marques Mendes. E fez ainda duras críticas a Luís Filipe Menezes pintando um quadro pouco promis…

A nova visibilidade da Birmânia

A Birmânia (Myanmar) pode até ter sido uma ilustre desconhecida para algumas pessoas, mas agora seguramente deixou de o ser. Não obstante este país viver sob o jugo de uma ditadura militar desde 1962, o problema da Birmânia não tem o hábito de ocupar espaço nos órgãos de comunicação social de todo o mundo. Talvez o outro momento em que se falou da Birmânia tenha sido por altura das manifestações de 1988, que culminaram com perto de três mortos. Hoje volta-se a falar da Birmânia e a comunidade internacional não pode ignorar a visibilidade e importância de um país coarctado, pobre, e isolado.

Hoje a comunicação social vê-se acompanhada por fenómenos como a Internet ou o jornalismo dos cidadãos, através de telemóveis, por exemplo. O que significa um aumento do espectro de visibilidade que se pode proporcionar a um determinado assunto. Refira-se a importância de todos estes fenómenos têm na opinião pública e consequentemente a pressão que é feita à classe política dos países mais abertos e…

Vitória de Menezes

Luís Filipe Menezes foi o candidato vencedor das eleições directas do PSD. Depois do período conturbado de acusações mútuas, de falta de transparência e de deterioração da imagem do PSD, a boa notícia é que as eleições chegaram ao fim. A má noticia é que o PSD sai manifestamente prejudicado com toda esta campanha eleitoral interna e o futuro do partido não será o mais lisonjeiro. A liderança mudou, mas ninguém pode honestamente afirmar que não ficou com um gosto amargo depois desta eleição. Se por um lado, nenhum dos candidatos primou pela discussão de ideias e de projectos, muito pelo contrário, cingiram-se a questões acessórias; por outro lado, e paradoxalmente, ganhou o candidato mais populista e mais inconsequente.

O que é taxativo é que o partido e o país perderam muito com estas eleições. Perdeu o partido que parece cada vez mais vazio de pessoas sérias, competentes e fundamentalmente, o partido está vazio de ideias. O candidato que venceu estas eleições fez nesse particular uma …

Violência na Birmânia

Depois da morte de Aung San, que encabeçou a luta pela independência, a Birmânia vive desde então (1962) sob o jugo de uma ditadura militar. O lema do general Ne Win e posteriormente da junta militar é de uma “via birmanesa para o socialismo”. As consequências desta via para o socialismo são o colapso económico, a destruição da economia de um país rico em recursos mas cuja população vive na pobreza e o hermetismo que convém à junta militar e que condena o país ao mais completo isolacionismo. O desrespeito pelos direitos humanos completa o triste quadro da vida dos birmaneses.

Nestes últimos dias tem-se assistido a manifestações, com especial destaque para a presença de milhares de monges budistas, contra a junta militar e a favor da democracia. Sabe-se agora que essas manifestações estão a serem reprimidas com o recurso à violência, havendo já algumas mortes confirmadas. Já em 1988 a junta militar reprimiu violentamente manifestações que pugnavam pela democracia, e hoje parece que a hi…

Enfraquecimento dos partidos políticos

Vários títulos poderiam ter sido utilizados para este texto: deserto político, vazio de ideias, primazia da vulgaridade, etc. De facto, os partidos políticos estão a atravessar um período de acentuada instabilidade, o que agrava o já preocupante distanciamento que se verifica entre políticos e cidadãos. Depois dos lamentáveis episódios no PSD, não se pode estar à espera de uma súbita reconciliação ou re-aproximação entre cidadãos e partidos políticos. Nem tão-pouco terá sido por acaso que nas eleições de Lisboa, muitos eleitores tenham votado em movimentos independentes.

Por um lado, verifica-se uma torrente de momentos infelizes na campanha para as directas do PSD. Quando se designa o seu opositor por “pequeno tirano” está-se a prestar um péssimo serviço ao partido e ao país. São momentos que denotam uma inequívoca irresponsabilidade que não podem ser encarados com ligeireza. Além de episódios desta natureza, não se tem assistido a um verdadeiro debate de ideias entre os dois candidat…

Impacto da crise financeira na economia real

É um facto que a crise financeira, com origem no mercado de subprime nos EUA, está longe de ser sanada, e tudo indica que o impacto desta crise nas economias reais será significativo. Naturalmente que a crise financeira começa por ter mais impacto nos EUA, mas a inevitabilidade desta crise afectar o resto do mundo, em particular a Europa, é uma evidência muito clara. Resta apenas esperar para ver a dimensão desse impacto.

Nos EUA a crise já está a ter consequências na economia real: a confiança dos consumidores americanos caiu significativamente; o preço das casas sofreu um acentuado decréscimo e começam a surgir notícias de que grandes empresas americanas ou anunciam os seus avultados prejuízos, ou, em última instância, anunciam a falência. A maior construtora americana – a Lennar – anunciou prejuízos na ordem dos 364 milhões de euros. É inevitável que a crise que teve origem no mercado imobiliário vai ter (e já começou a ter) consequências ao nível do emprego. Vamos assistir, com for…