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Mensagens

Ainda as consequências da crise imobiliária americana

A crise financeira que começou no crédito à habitação, designadamente na concessão de crédito a clientes cujo risco era elevado – o chamado mercado subprime – tem consequências notórias quer no aspecto financeiro, quer no aspecto das economias, incluindo naturalmente a economia portuguesa. A má avaliação do risco, incluindo por parte de agências de rating deve ser motivo para uma reflexão sobre a génese desta crise.

Uma consequência óbvia da crise financeira prende-se com o facto de que neste momento ninguém querer estar exposto ao risco, o que se reflecte na concessão de crédito, por exemplo. É cada vez mais frequente ouvir-se falar da instabilidade das bolsas, do aumento dos juros (quem tem crédito à habitação estará certamente desgostoso com a Euribor), na dificultação inerente à concessão de crédito por parte dos bancos; e mais recentemente foi notícia o abandono, por parte de muitos investidores, de aplicações financeiras como as acções e os fundos de investimento – volta a falar-…

Reforma do Código de Processo Penal

A recente libertação de presos consequência da introdução do novo Código de Processo Penal tem posto em causa sensação de segurança dos portugueses. A polémica sobe de tom quando se verifica que reclusos já condenados em primeira instância, que entretanto recorreram da decisão, foram colocados em liberdade, sendo-lhes atribuídas outras medidas de coacção.

Para além da perda de sensação de segurança – que já tinha sido posta em causa num período de um recrudescimento da criminalidade violenta -, chove uma torrente de críticas oriundas de magistrados, polícias e funcionários judiciais. Até a própria Maria José Morgado já veio a público alertar para algumas incongruências, como a falta de informatização do sistema judicial. É com este pano de fundo que se verifica que a classe política, na sua generalidade, mantém-se refém de um silêncio constrangedor. Paralelamente, chega a ser embaraçoso assistir ao silêncio e quase desprezo do Governo.

As alterações ao Código de Processo Penal não podem…

O silêncio da resignação

O país, ultrapassada a silly season, afunda-se na resignação e é dominado por assuntos cujo interesse nacional é difícil de explicar. Embora o país não pare, a sensação que se tem ao ver televisão, por exemplo, é a de um país meio adormecido, sem interesse e dominado pela vacuidade ou pelos excessos.

Embora estas semanas tenham sido ricas em acontecimentos para a vida dos portugueses – muitos desses acontecimentos consubstanciam-se em profundas alterações em diversas áreas –, a verdade é que entre os desenvolvimentos do caso Maddie, a atitude intempestiva do seleccionador nacional e a distribuição folclórica de computadores pelo Governo, não há espaço para se discutir os verdadeiros problemas do país.

Se por um lado, a presidência do Conselho Europeu ocupa parte substancial do tempo e atenção do Governo, não é menos verdade que o Governo não poderia ter tarefa mais facilitada do que esta, na medida em que as pessoas estão mais interessadas nos casos que dominam a opinião pública, do que…

Ainda o Dalai Lama no reino da hipocrisia

Já aqui foi discutida a forma hipócrita e cobarde como o Governo decidiu distanciar-se da visita do líder espiritual tibetano Dalai Lama a Portugal. Não há muito mais a acrescentar sobre a actuação de um Governo que prefere a subserviência ao risco de ferir a susceptibilidade de colossos como a China. A questão dos Direitos Humanos? É um mero pormenor sem grande importância para o Governo português. Afinal de contas, vivemos na era do pragmatismo e da realpolitik, e não na era dos valores e dos princípios.

Mas não foi apenas o Governo a manifestar a sua hipocrisia e cobardia; exceptuando o Bloco de Esquerda e o CDS, nenhum partido se insurgiu contra a cobardia e subserviência do actual Executivo e do silêncio do Presidente da República. O PSD refugia-se na reiteração de palavras de circunstância e absolutamente incipientes. Aliás, a postura de Marques Mendes nesta matéria mostra novamente a falta de impetuosidade de um líder cada vez mais apagado e desprovido de ideias para o país. O P…

O regresso do Dalai Lama ao reino da hipocrisia

O Dalai Lama regressou a Portugal, e mais uma vez, não é recebido pelos responsáveis governativos portugueses. Será recebido por Jaime Gama, mas este não será um encontro de natureza oficial. Dalai Lama, líder espiritual e político, regressa ao reino da hipocrisia – Portugal.

A China parece ter exercido sobre Portugal uma espécie de pressão diplomática, chegando mesmo a enviar a Portugal um diplomata. É sobejamente conhecida a situação do Tibete sob o jugo da China; além do mais, a questão dos Direitos Humanos tem, na perspectiva do Governo português, dois pesos e duas medidas. É só olhar atentamente para a questão de Timor e agora para a forma como o Dalai Lama é recebido pelos responsáveis governativos portugueses.

Dir-se-á que o Governo português tenta apenas preservar as boas relações diplomáticas entre Portugal e China. Mas a questão não é apenas essa – o Governo português chafurda na sua própria hipocrisia na tentativa de manter relações económicas com o colosso asiático. E por ou…

11 de Setembro

Seis anos após os atentados do dia 11 de Setembro é difícil afirmar que o mundo é hoje mais seguro. Todos os anos após o 11 de Setembro é colocada a questão da segurança no mundo – o mundo é hoje mais seguro? A resposta não é linear. Por um lado, não se tem assistido nos últimos anos a atentados terroristas com o impacto de outrora; por outro lado, as polícias e serviços de informações têm sido exímios na tarefa de desmantelar células terroristas, em particular na Europa, o que pressupõe a existência grupos terroristas que desenvolvem todos os esforços no sentido de preparar e executar actos terroristas.
O 11 de Setembro justificou a intervenção militar no Afeganistão, e apesar da necessidade dessa intervenção, não se tem verificado a estabilidade necessária que permita a este país sair da esfera do fundamentalismo e recomeçar num clima de estabilidade e tolerância. O regime talibã e a sua filosofia extremista continuam a ser presença contínua no Afeganistão.
Por outro lado, o Iraque co…

Mais uma machada nas liberdades

Vem o título a propósito da criminalização, anunciada pelo Governo, da publicação das escutas telefónicas não sujeitas ao segredo de justiça. Aparentemente pretende-se salvaguardar os direitos de pessoas que estão sob investigação, não obstante as escutas a que a pessoa foi sujeita serem do domínio público e não estarem sujeitas ao segredo de justiça.
Não são necessários grandes exercícios de imaginação para se perceber que a medida até tem a sua lógica. É sempre desagradável que as nossas conversas apareçam escarrapachadas nos jornais ou nas televisões, e na verdade, nunca se sabe quem está a ser escutado. Os arautos de mais este condicionamento das liberdades sentir-se-ão agora um pouco mais à vontade.
Por outro lado, os jornalistas são amiúde responsabilizados por não terem pudor em divulgar conversas, consideradas do foro privado, nos diversos meios de comunicação social. Com este Governo, os jornalistas, e a comunicação social no sentido genérico, vêem a sua esfera de actuação ser …