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Mensagens

E depois da DREN?

Será que o Governo saberá tirar uma lição do chamado caso DREN? Esta é a questão que se impõe após o arquivamento, por parte da ministra da Educação, do processo ao professor acusado de ter insultado o primeiro-ministro. Depois de tantas vozes se terem levantado em nome da liberdade de expressão e contra a delação, a ministra não tinha outra alternativa que não fosse encerrar o assunto através do arquivamento do processo. O trabalho ficou, porém, incompleto na medida em que a directora regional mantém-se no cargo e o delator saiu incólume desta situação.
Infelizmente, o Governo não percebeu, ou tardou a compreender, que a questão da DREN era muito mais do que um simples processo instaurado a um professor. O que sempre esteve em causa e continua a estar é a promoção acalentada pelo Governo de um clima em que a delação não é punida. Um clima que potencia o medo, por um lado, e a bajulação, por outro. Um clima que não se coaduna com os mais básicos princípios democráticos. Só o futuro dir…

A urgência do Estado palestiniano

Vem o título deste texto a propósito do artigo que Rudolph Giuliani, forte candidato republicano à corrida à Casa Branca, escreveu na revista Foreign Affairs sobre o conflito israelo-palestiniano. Neste artigo, Giuliani mostra a sua recusa no apoio americano (da actual Administração) à criação de um Estado palestiniano, alegando que os EUA não devem apoiar a criação de um estado que patrocine o terrorismo. Giuliani adianta ainda que a existência desse estado deve ser precedida do cumprimento de determinados requisitos, designadamente, a coexistência pacífica com Israel e a condenação do terrorismo. Neste aspecto específico estamos todos de acordo. No entanto, a existência de um Estado palestiniano é condição sine qua non para a pacificação da região.

Não será, pois, exequível que a recusa na formação do Estado palestiniano – a actual Administração tem encetado esforços para que esse Estado seja viável – possa ser o pano de fundo ideal para um processo de paz do Médio Oriente. Giuliani …

Agravamento da precariedade

O Instituto Nacional de Estatística divulgou dados que apontam para um agravamento da precariedade do emprego. A profusão da precariedade é um dado que nem sequer carecia de confirmação, todos conhecem, uns mais de do que outros, o lado sombrio do emprego – a precariedade nas suas diferentes formas. Por conseguinte, o INE apenas veio dar um pequeno contributo, sob a forma de confirmação, de uma situação que tem a conotação de irreversibilidade.

Na verdade, o agravamento da precariedade não constitui propriamente novidade; o aumento dos recibos verdes aliado ao aumento dos contratos a prazo, muitos de curta duração, prolifera de forma imparável. Ora, muitos empregadores vêem na precariedade uma forma de reduzirem despesas. Contudo, e neste contexto, a sustentabilidade das empresas nem sempre é assegurada. Com a precariedade do emprego como pano de fundo, os trabalhadores vivem entre a instabilidade e o receio, não havendo desta forma condições para dar um contributo mais profícuo às emp…

Crise imobiliária americana: consequências

A crise imobiliária nos EUA começou no mercado do subprime, sendo certo que ninguém ao certo saberá qual é a extensão do problema. Na prática, foi a ausência de avaliações criteriosas no que diz respeito aos créditos de risco que desencadeou uma crise que volta a colocar a tónica na desconfiança e no nervosismo nos mercados internacionais. Reina a desconfiança, essa é das poucas certezas que se pode avançar neste momento.

As consequências desta crise passarão, incontornavelmente, pela dificultação, por parte dos bancos, no acesso ao crédito, em particular, no acesso ao crédito de elevado risco. Esta maior dificuldade na obtenção de créditos será o resultado de maiores cautelas da banca na concessão de crédito através de avaliações mais precisas no que diz respeito ao risco associado ao empréstimo. Alguns economistas avançam a possibilidade de aumentos dos spreads, e na possibilidade de aplicação de taxas de juro distintas, consoante o nível de risco associado ao empréstimo.

Recorde-se q…

O descontentamento

Se por um lado, já se tinha o conhecimento real de que cada vez se vive pior no nosso país; por outro lado, os últimos estudos da União Europeia a 15 expõem a clivagem entre Portugal e a generalidade dos Estados-membros da União Europeia. Em Portugal ganha-se em média menos 40 porcento comparativamente com os restantes países que compõem a Europa a 15. Foi também notícia esta semana que o fosso entre ricos e pobres é maior em Portugal do que noutros países europeus.
Estes dois indicadores são sintomáticos de um país que atravessa uma crise persistente, e mais: estes indicadores mostram um país cada vez mais desigual. Ora, as melhorias que tardam em chegar para a generalidade dos portugueses, parece que chegaram antecipadamente a outros portugueses que, segundo uma revista conceituada, aumentaram em cerca de 35 porcento a sua riqueza. Perante isto, é impossível continuar a escamotear o seguinte: Portugal é um país que não encontra o rumo do desenvolvimento sustentável, muito pelo contrá…

Aumento da violência no Iraque

O ataque à minoria étnica yazidi já provocou mais de 500 mortos (número ainda temporário) e é considerado o pior ataque terrorista dos últimos 4 anos. As autoridades americanas consideram que o ataque tem a marca da Al-Qaeda. Importa sublinhar que o recrudescimento da violência e a aparente ausência de soluções para esta região conturbada do Médio Oriente são factos incontornáveis.

A autoria dos atentados (ainda não confirmada) parece ter a marca da Al-Qaeda, que não obstante a forte presença militar americana no terreno, continua a levar a cabo atentados terroristas e a espalhar a mensagem do ódio. Os grupos terroristas encontraram num Iraque profundamente dividido e confuso o terreno ideal para desenvolverem as suas actividades terroristas. O objectivo desses grupos prende-se com a perpetuação da instabilidade na região. Com efeito, é no caos que estes grupos conseguem levar a cabo os seus intentos.

Urge uma solução para a violência no Iraque. A responsabilidade na procura dessa soluç…

Paquistão, 60 anos

Celebra-se por esta altura os 60 anos da existência do Paquistão. País que nasceu da separação da Índia com o objectivo de garantir um país para a comunidade muçulmana. Após um início tumultuoso e sangrento, ainda hoje há discordâncias entre os historiadores sobre o número de mortos fruto dos confrontos iniciais após a separação, o Paquistão vive novamente tempos conturbados. Não é, contudo, excessivo afirmar que este país nunca deixou de viver períodos de instabilidade: o nascimento sangrento, a sempre perigosa instabilidade com a vizinha Índia sob pretexto de reclamar a região de Caxemira, o peso excessivo dos militares nos assuntos do país, e recrudescimento do radicalismo de cariz islâmico.

As próprias celebrações sobre o nascimento do país têm sido ensombradas pela ameaça terrorista. O aumento da preponderância de grupos inspirados no radicalismo talibã, a revolta destes grupos e o ressurgimento do wahabbismo, em particular, entre os militares pressagiam tempos difíceis para o Paq…