Avançar para o conteúdo principal

Mensagens

Ainda e sempre a educação

Agora que se atravessa o período de férias escolares, os problemas da Educação devem continuar a ser inexoravelmente discutidos. É curioso verificar o consenso em torno da importância da Educação e, paradoxalmente, constatar-se que a Educação, volvidos dois anos da entrada em funções do actual Executivo, continua a ser a parente pobre de um país que permanece, em larga medida, ignorante. Na verdade, este Governo que faz a apologia do progresso, não tem uma filosofia para a Educação, e tenta colmatar essa falha com paliativos que não resolvem o problema de fundo.

É fundamental que se refira o triunfo do facilitismo que impregna e conspurca a Educação. Hoje, mais do que nunca, é possível asseverar-se que se aposta quase tudo na quantidade em detrimento da qualidade. O Governo tem objectivos políticos – a guerra dos números, em particular da OCDE, que envergonham país é razão mais do que suficiente para o recurso a todo o tipo de expedientes para melhorar, artificialmente, a imagem do paí…

Espírito crítico

Por vezes questionamo-nos sobre quais as razões que impedem o desenvolvimento do país. São apontados vários óbices a esse tão almejado desenvolvimento: a existência de uma administração pública ineficiente e demasiado onerosa, do ponto de vista orçamental; a inexistência de um forte tecido empresarial; a deficiente formação dos recursos humanos, etc. Isto somado contribui de forma decisiva para o atraso do país, mas existem razões de outra natureza, subjacentes aos óbices já referidos, que impedem que o país conheça o caminho do progresso.
Ainda na semana passada ocorreu um episódio ao qual subjaz a mentalidade mesquinha e obtusa de uma classe política néscia – o afastamento da directora do Museu Nacional de Arte Antiga é mais um sinal daquela mentalidade serôdia de premiar os bajuladores e afastar os críticos. Efectivamente, este caso não traz nada de novo, são demasiados os episódios de amordaçamento do país.
Não obstante a ausência de novidade, importa sublinhar a perpetuação de uma …

Recibos verdes: o paradigma da precariedade

A precariedade do emprego generalizou-se em Portugal, dir-se-á que é um sinal do tempo e da inevitabilidade da globalização. Com a crescente concorrência de países que praticam o “dumping” social – práticas salariais ridículas e total ausência de direitos sociais –, generalizou-se a ideia da irreversibilidade do emprego precário.
Os recibos verdes são um dos paradigmas da precariedade, existem cada vez mais trabalhadores que estão presos ao logro dos recibos verdes que se institucionalizaram em Portugal. A situação dos recibos verdes pode prolongar-se por tempo indefinido. Adia-se assim, também, a concretização, em particular por parte dos jovens, de sonhos que são comuns a todos. É uma hipocrisia querer negar esta realidade. Some-se a isto todas as consequências da famigerada crise e o resultado é óbvio: assiste-se a uma inelutável perda de qualidade de vida.
Refira-se a multiplicidade de justificações para fundamentar o recrudescimento da precariedade, que vão desde a falta de qualifi…

Mais uma intransigência do Governo

O afastamento da directora do Museu Nacional de Arte Antiga é mais uma intransigência do Governo. Ao invés de permitir o diálogo aberto, a troca de ideias e promover as boas relações entre directores e as respectivas tutelas, o Governo, através da ministra da Cultura, faz precisamente o inverso, afasta quem se manifesta contra o que foi estipulado pelo Governo.
Em rigor, não se pode comparar este caso da directora do MNAA com o caso Charrua ou com a directora de um centro de saúde de Vieira do Minho. Trata-se de um conflito sobre o modelo de gestão do mais importante museu português. De qualquer modo, a ministra da Cultura age de forma errada, não percebendo que o clima de suspeição que foi criado por este Governo é indelével e exacerba qualquer caso que apresente similitudes com os já referidos. É natural que alguns partidos da oposição tenham empolado este afastamento e é sobejamente conhecida a estratégia deste partidos: sendo óbvia a sua impotência em apresentar alternativas às pol…

RTP e o véu

Recentemente o CDS-PP criticou o canal público de televisão por ter permitido que uma das suas jornalistas tivesse feito uma entrevista ao embaixador do Irão envergando o véu e luvas pretas. Não se pode deixar de dar razão às críticas do CDS-PP, será que era mesmo necessário que a jornalista envergasse essa indumentária? Será que era condição imposta pela embaixada do Irão? Ou foi consequência dos critérios editoriais da RTP?

Independentemente da razão, não se percebe como é que uma jornalista portuguesa faz uma entrevista, em Lisboa, vestida dessa forma. Não parece haver uma explicação que fundamente o sucedido. Não obstante o respeito que se tem pelos aspectos religiosos de qualquer país, sabe-se também que a indumentária em questão comporta aspectos negativos relativamente ao universo feminino – não se justifica que em Portugal, uma jornalista do canal público de televisão apareça vestida dessa forma.

Importa sublinhar que, na perspectiva de grande parte do Ocidente, a questão do véu…

O fenómeno da globalização

O acelerado desenvolvimento informático, dos meios de comunicação, e de um acentuado melhoramento dos meios de transporte proporcionaram as condições necessárias para o estabelecimento da globalização. Fenómeno incontornável dos dias de hoje. É claro que a queda do Muro de Berlim e o fim do comunismo são elementos indissociáveis do advento da globalização. Afinal, com o fim da guerra-fria só houve um vencedor: o capitalismo. Seria natural que este sofresse uma aceleração e que se estendesse um pouco por todo o mundo.

A globalização é vista por muitos como o pano de fundo ideal para a saída de uma situação de pobreza de muitos milhões de habitantes deste planeta. E de facto, a China e a Índia são paradigmas desse alegado sucesso, e existem hoje, segundo algumas estimativas, menos pobres do que há alguns anos atrás. Parece, pois, que os apologistas da globalização triunfaram. Mas será mesmo assim?

Com efeito, existe hoje na China uma classe média fortalecida, qualquer coisa de inexistente…

Politicas neoliberais

O Governo tem sido recorrentemente acusado de seguir uma linha neoliberal e de aplicar políticas em consonância com o neoliberalismo. Não obstante a pertinência e necessidade da aplicação de determinadas reformas, o modo como essas reformas estão a ser concebidas aproxima-se, com efeito, do neoliberalismo.


Se por um lado, é possível reunir consensos acerca da inevitabilidade de uma reforma da administração pública, da falta de sustentabilidade do sistema nacional de saúde ou da necessidade de se sanear as contas públicas; por outro, é impossível ignorar o retrocesso na vida de muitos portugueses acompanhado pelo menosprezo que muitos políticos manifestam ter pelas pessoas. De certa forma, o actual Executivo governa para as massas e não tanto paras as pessoas; ou seja o Governo pensa em políticas a aplicar para massas indistintas, olhando vagamente para as pessoas.


De certo modo, este Governo apenas faz uma tentativa de adaptar o país a um mundo em constante convulsão, através de polític…