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Mensagens

A cegueira do PS

O presidente da federação distrital do PS-Porto já veio a público reiterar a confiança deste partido na directora regional de Educação do Norte; a mesma que suspendeu um professor por este ter, alegadamente, lançado impropérios ao primeiro-ministro. O ilustre membro do PS adiantou ainda que a directora tem feito um trabalho louvável à frente da DREN, e critica a “inversão de valores que se verificou neste caso” – parece que o professor suspenso é agora “um novo herói nacional”, segundo as palavras deste membro do PS.



O que foge à percepção de algumas pessoas ligadas ao PS é que este polémico caso deu um forte contributo para a sensação geral de se viver num país onde as liberdades são condicionadas. Refira-se novamente que o professor foi suspenso em consequência da actuação premeditada de um bufo, com a clara aprovação da directora. Por muito graves que tenham sido as palavras do professor, a bufaria e o incentivo à delação é que chocaram a opinião pública.


Não se compreende, pois, com…

O PSD e a Madeira

Apesar da haver quem aprecie o estilo brejeiro e populista do presidente do Governo regional da Madeira, existem limites para o seu comportamento de constante afronta ao país. O episódio de recusa em respeitar uma lei da República Portuguesa é simplesmente inaceitável. E a rigidez de princípios deve estender-se a toda o espectro político nacional, incluindo o PSD e o seu líder. Em relação a esta matéria não pode haver dois pesos e duas medidas, em caso algum.

Marques Mendes foi pela primeira vez à festa do PSD-Madeira, no Chão da Lagoa. Esta tradicional festa – apanágio do populismo mais primário – foi o palco para o início da campanha eleitoral de Marques Mendes para as próximas directas de Setembro. No seu desvario eleitoral, Marques Mendes teve uma intervenção, no mínimo, incipiente quando lhe foi colocada a questão sobre a IVG na Madeira. Foi mesmo possível observar laivos de populismo no discurso de Marques Mendes, o que poderá fazer algum sentido, tendo em conta que o seu oposito…

Festa do Avante celebra revolução russa

A Festa do PCP escolheu este ano como bandeira a celebração dos 90 anos da revolução russa. Não será propriamente razão para grandes admirações, mas ainda assim é assunto que merece algumas palavras. Fará todo o sentido o PCP, de matriz marcadamente marxista-leninista, festejar e dedicar a sua festa à revolução russa. Não deixa, no entanto, de ser curioso evocar-se uma revolução cujos resultados são aqueles que todos conhecemos.

A revolução russa de Outubro de 1917 não deu ao mundo os pilares para a construção de uma sociedade mais justa, aliás, os pilares dessa revolução soçobraram com a queda do muro de Berlim e com o inevitável fim da União Soviética. De qualquer modo, a Festa do Avante vai proporcionar aos seus visitantes um regresso, carregado de saudosismo, ao passado. O PCP propõe-se fazer uma exposição sobre a revolução, enaltecendo desta forma os 90 anos da revolução. É certo que muitos aspectos dessa revolução ficarão de fora da exposição. Ou será que as perseguições política…

O medo e a delação

O polémico processo Charrua foi arquivado pela ministra da Educação. O Governo tenta atrapalhadamente pôr um ponto final no assunto. Ficou, no entanto, o mal-estar que este e outros casos geraram na opinião pública. O professor visado continua a não exercer as funções que exercia na DREN, a ministra da Educação devia ter ido mais longe e deveria ter afastado a directora e punido o delator. No mesmo dia que se soube do arquivamento do processo Charrua, Manuel Alegre, deputado do PS, escreve um artigo no jornal PÚBLICO sobre o medo que se instalou em Portugal.
Manuel Alegre tem razões para utilizar a palavra “medo”, aliás não é por acaso que o faz – os episódios de tentativas de condicionamento mais ou menos evidente de algumas liberdades sucedem-se uns atrás dos outros. Dir-se-á que há algum exagero de retórica quando se utiliza a palavra “medo” e que o Governo não é directamente responsável por esses episódios. Contudo, o caso Charrua, o novo Estatuto do Jornalista, o afastamento da di…

A Turquia e a União Europeia

As recentes eleições turcas que deram uma vitória clara ao partido AKP trouxeram por arrasto a polémica discussão sobre a futura adesão da Turquia à União Europeia. A adesão deste país à UE não pode ser analisada de forma despicienda. E do mesmo modo, as divisões que existem no seio da União Europeia acerca desta polémica questão são um sinal claro de que ainda existem demasiadas dúvidas sobre a adesão da Turquia. Se é verdade que a exequibilidade de uma União Europeia constituída por demasiados Estados poderá ser posta em causa, não é menos verdade que a entrada de um país como a Turquia não pode ser considerada como mais uma adesão de muitas.

A União Europeia tem sido complacente nesta matéria, e tem alimentado a esperança (e para muitos a certeza) de que a entrada da Turquia para a União Europeia é um facto que acontecerá. Assim, torna-se a questão ainda se torna mais intrincada; ao exigir-se que a Turquia inicie e conclua reformas em troco de uma adesão ao clube europeu, ainda se e…

As atribulações do maior partido da oposição

Afinal Marques Mendes não vai estar sozinho no dia 28 de Setembro, o actual presidente da Câmara de Gaia, Luís Filipe Menezes, vai fazer-lhe companhia. Depois de um impasse efémero, Luís Filipe Menezes anunciou a sua candidatura. A conclusão mais imediata a retirar desta conjuntura é a de que não existem verdadeiras alternativas para a liderança do maior partido da oposição. Fica assim claro que as atribulações que têm caracterizado o PSD, durante estas últimas semanas, são para continuarem.
Se por um lado se verifica a presença apagada e incipiente do actual líder do PSD, por outro, não se perspectiva uma candidatura de Menezes que desperte grande entusiasmo no seio do partido e fora da esfera partidária. De resto, não parece que surja, entretanto, uma candidatura de uma outra personalidade do PSD. Na verdade, ninguém estará na disposição de liderar um partido sem rumo e inserido num contexto manifestamente desfavorável – eleições legislativas em 2009 frente ao partido do Governo que,…

Portuguesas de segunda

Parece que os cidadãos deste país não são todos iguais, sendo certo que muitos de nós já tinham essa percepção, o caso das mulheres da Madeira que não podem realizar a interrupção voluntária da gravidez nesse território vem tornar tudo muito mais grave. É inaceitável que, graças à intransigência de Alberto João Jardim, as mulheres da Madeira se encontrem em circunstâncias diferentes das mulheres do continente e Açores.

A possibilidade de se realizar a IVG até às 10 semanas foi referendada em Portugal, concorde-se ou não com esta questão. Mas mesmo que olhemos para o problema da Madeira na perspectiva legal, não se compreende como é que é possível que uma lei, consequência de um referendo, sirva para todo o território nacional menos para a Madeira.

Com efeito, o Governo regional da Madeira já nos tinha habituado a episódios menos felizes e sempre carregados com o tom irascível da pseudo independência, funcionando esta linha de raciocínio invariavelmente como uma espécie de ameaça. No ent…