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O fim de uma campanha eleitoral desinteressante

O desfecho da eleição para a Câmara de Lisboa não foi muito diferente do que se estava à espera. De todas as leituras possíveis a que sempre foi mais fidedigna referia-se à elevada abstenção, e também aqui não houve lugar a previsões muito erradas. Na verdade, o tempo até ajudou a combater a abstenção, curiosamente este foi um domingo pouco soalheiro. Mas ainda assim, a elevada taxa de abstenção marcou estas eleições. Efectivamente a campanha eleitoral foi desinteressante, isto para não recorrer a uma adjectivação mais acutilante.

E é precisamente a falta de qualidade dos candidatos que provaram que a política em Portugal não é feita pelos melhores. Lisboa foi, uma vez mais, esquecida nesta campanha eleitoral. Do mesmo modo, não se poderá exigir aos portugueses um empenho muito maior quando os políticos são de tão fraco calibre. O mais grave, contudo, é o que ainda está para vir: tricas políticas, vitimizações pueris, falta de transparência, interesses que passam ao lado do bem-estar d…

Contagem decrescente para as eleições intercalares de Lisboa

Aproxima-se vertiginosamente o dia das eleições para a Câmara Municipal de Lisboa. A campanha eleitoral deu-nos a conhecer, por um lado, a extraordinária falta de qualidade dos candidatos, e por outro, que a questão de uma Câmara endividada ganha ou perde importância em função dos interesses dos candidatos. No meio desta miscelânea de indigência intelectual e hipocrisia ficam os cidadãos de Lisboa sem conhecerem exactamente qual é o estado financeiro da Câmara. Esta semana os jornais noticiaram que a Câmara de Lisboa viu a sua dívida crescer significativamente nos últimos anos.

Contudo, na pobreza que tem sido a campanha de alguns candidatos que se dividem entre sardinhadas e ataques aos adversários, a questão do saneamento financeiro da Câmara parece ter passado para um segundo plano. Após algumas propostas elaboradas por alguns dos candidatos com a finalidade de combater a dívida de curto prazo, a questão foi-se desvanecendo com as tricas entre candidatos com acusações mútuas de falt…

Crise no Paquistão

Os recentes confrontos entre o Estado paquistanês e radicais inspirados no regime taliban acabaram num banho de sangue. Esta notícia não tem especial relevância em grande parte do mundo ocidental, aliás a crise que se instalou no Paquistão e que põe a nu a grave cisão entre o Governo de Musharraf e radicais islâmicos só ganha uma importância acrescida quando o terrorismo sustentado pelo radicalismo islâmico nos bate à porta. Caso contrário trata-se apenas de mais um episódio de violência que ocorre em países longínquos e quase desconhecidos. Contudo, este é mais um sinal de alerta relativamente ao recrudescimento do radicalismo que constitui seguramente a maior ameaça ao mundo ocidental.

O Paquistão é antes de mais um país dotado de tecnologia nuclear, é só esta característica aumenta exponencialmente o perigo que constitui para o Ocidente e para os países vizinhos se um país com estas características cair nas mãos dos radicais. Com efeito, o radicalismo que eclode um pouco por todo o …

Eleições intercalares em Lisboa: vazio de ideias

A campanha eleitoral para as eleições de Lisboa é marcada pela escassez de qualidade dos candidatos. Ora, pode-se afirmar que os lisboetas não têm muita sorte – como é que é que possível que em 12 candidatos não se aproveite uma ideia? Os candidatos não têm feito mais do que macaquearem-se uns aos outros: em matéria de urbanismo, por exemplo, todos repetem os mesmos lugares comuns. Por outro lado, as acusações mútuas, agora que a campanha eleitoral se aproxima do fim, são a panaceia para uma virtual transparência de um qualquer candidato. Por consequência, e neste contexto caracterizado por um misto de inanidade e das falácias do costume, os eleitores terão certamente dificuldades em escolher um candidato:

- O candidato do PS, que adoptou desde início uma postura de vencedor antecipado, tenta demarcar-se das políticas menos populares do Governo. Tem-se dificuldade em perceber o que é que este pseudo-messias pode trazer de benéfico para a cidade. A nomeação de José Miguel Júdice para a …

Inércia colectiva

O país tem vindo a caracterizar-se por uma espécie de inércia colectiva que contribui inexoravelmente para o atraso do país. Mas em que é que consiste exactamente essa inércia? Consiste numa paralisação voluntária que imobiliza a participação dos cidadãos na construção do país. É um erro crasso incutir a responsabilidade do progresso apenas nos governantes, e de facto, em Portugal olha-se para o Estado como sendo o principal impulsionador das mudanças necessárias ao desenvolvimento. Nada mais errado – um país imobilizado é um país que resiste a essas mudanças, caminhando assim em sentido contrário ao progresso.
O desinteresse mais ou menos generalizado pelas reformas do Governo; a ideia preconcebida de que é o Estado o único motor de mudança; o egocentrismo associado a condição de cada um, remetendo para a irrelevância as políticas que afectam os outros, seja eles funcionários públicos, pensionistas, ou outros concidadãos, são sintomáticos do desinteresse que se generalizou. Não é meno…

Degradação da classe política

A classe política portuguesa tem vindo a sofrer uma acentuada degradação nos últimos anos. O que também é sintomático do actual estado do país, não é possível antever-se um futuro mais equitativo e próspero quando a classe política é de tão fraca qualidade como é a de hoje. Dir-se-á que o actual estado do país não é consequência apenas da preponderância incipiente dos políticos. Ora, poder-se-á concordar em parte com esse argumento, no entanto, a responsabilização de uma classe política tecnocrata e incompetente pela crise em que o país está atolado não pode ser desvalorizada.

Infelizmente, existe um vasto conjunto de indicadores que denotam a existência de políticos cujo desempenho raia a mais acentuada incompetência e ausência de visão estratégica. Já para não falar de suspeitas de irregularidades no desempenho de funções políticas – o caso mais recente do líder do CDS é mais uma acha para a fogueira de vaidades inconsequentes que é a política em Portugal. Do lado do Governo, assisti…

As sete maravilhas de Portugal

Não, não se trata de mais um texto sobre monumentos, por muito que estes mereçam umas palavras enaltecendo a riqueza do património português. Trata-se apenas de dissertar sobre as sete maravilhas que caracterizam o país. Deste modo se utiliza ironicamente o conceito do concurso para a eleição das sete maravilhas para criticar assim mordazmente o estado do país. Depois desta pequena introdução, as sete maravilhas de Portugal são:

- A Educação nas suas intermináveis contradições, com a presença assídua do facilitismo disfarçado como sendo consequência inevitável da massificação do ensino. Educação que continua a estar desfasada do desenvolvimento do país. Educação que não reúne consensos, vingando antes os antagonismos fomentados por governantes desprovidos de sensatez.

- A Justiça que perpetua a sua morosidade e ineficácia. Justiça que constitui um obstáculo ao investimento e que contribui para o atraso estrutural do país. Intrincada, afastada dos cidadãos e longe de servir o interesse c…