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Mensagens

Palestina: em sentido contrário à paz

Já aqui foi referida a situação, muito próxima da guerra civil, que se vive nos territórios palestinianos. Apesar disso, o agravamento do clima de instabilidade que tem marcado a Cisjordânia e a Faixa de Gaza justifica mais um texto sobre o assunto. Efectivamente, as dissensões internas que se traduzem num recrudescimento da violência apontam para um retrocesso substancial no processo de paz do Médio Oriente. Para além do conflito israelo-palestiniano – ainda longe de um apaziguamento –, é agora a divisão dos territórios palestinianos que configura um forte golpe nas aspirações na criação de um futuro Estado palestiniano.

Recorde-se que a criação de um Estado palestiniano é condição sine qua non para a estabilização da região. Contudo, a Palestina está a sofrer divisões inexoráveis: por um lado, a Cisjordânia, controlada até ao momento pela Fatah de Mahmoud Abbas; por outro a Faixa de Gaza controlada pelo Hamas de Ismail Hanieyh. É ainda de sublinhar que a Fatah do Presidente Abbas cor…

Sociedade Civil

Tem-se falado com relativa insistência na sociedade civil a propósito do estudo encomendado pela CIP sobre o novo aeroporto. Muitos se congratularam com o ressurgimento da tal sociedade civil, reconhecendo a importância que essas vozes tiveram para o desenvolvimento de mais estudos sobre este assunto polémico num clima de significativa ponderação. Antes de mais, convém salientar o papel que o Presidente da República teve em toda esta matéria. Em todo o caso, o envolvimento dos cidadãos, dos meios de comunicação social e dos partidos da oposição na discussão sobre a Ota não deve ser subestimada, sob pena de estarmos a cometer uma incomensurável injustiça. De qualquer modo, a participação mais acutilante de um grupo de empresários através da CIP deu um contributo absolutamente determinante para o recuo do Governo.


A participação dos cidadãos nas discussões sobre as mais diversas matérias constitui um forte enriquecimento do próprio Estado democrático. A correlação das várias forças, seja…

Palestina perto da guerra civil

A instabilidade que assola o Médio Oriente conhece agora a possibilidade de eclosão de uma guerra civil nos territórios palestinianos. A escalada da violência entre milícias do Hamas (considerado grupo terrorista pelos EUA e pela UE), partido do primeiro-ministro Ismail Hanieyh, e milícias da Fatah do presidente Mahmoud Abbas (mais próximo dos EUA) aproxima-se vertiginosamente da guerra civil. Esta situação de acentuada violência na faixa de Gaza e na Cisjordânia, poderá, inclusivamente, resultar no envio de uma força de paz internacional para a região. Se os confrontos entre as duas facções não forem cerceados, o débil processo de paz para a região será uma miragem ainda mais longínqua. Note-se que o Hamas tem rejeitado uma aproximação a Israel, o que invalida, pois, avanços no processo de paz.

Esta região não tem conhecido outra coisa que não seja a violência, havendo mesmo quem acredite não existir uma solução exequível para um futuro apaziguamento da região. Com efeito, o eterno co…

Endividamento

O endividamento das famílias e das empresas portuguesas é uma realidade preocupante e tem vindo a agravar-se nos últimos anos. A existência de um Banco Central Europeu que determina os aumentos ou diminuições das taxas de juro torna toda esta questão do endividamento ainda mais preocupante. É neste contexto que se tem assistido a aumentos sucessivos das taxas de juro que tem implicações na vida de muitos portugueses. Quando o Presidente do BCE vem anunciar novos aumentos nas taxas de juros, é toda a economia de um país endividado que se ressente, não obstante as razões do BCE.

Com efeito, os cidadãos portugueses, na sua generalidade, recorrem ao crédito por lhes ser impossível adquirir habitação, por exemplo, de outra forma. De facto, a existência de uma economia que assenta em baixos salários não permite a uma grande maioria dos trabalhadores terem margem financeira para adquirir determinados bens. Infelizmente, o desemprego, o emprego precário, a exorbitante perda do poder de compra …

A importância da política

De um modo geral há a tendência para se criticar a política e em particular os políticos. De facto, em Portugal, assim como em muitas democracias ocidentais, existe um descrédito crescente em relação aos políticos. Por um lado, os escândalos de corrupção e a opacidade têm denegrindo a imagem dos políticos; por outro, a falta de soluções para problemas prementes consequência da acelerada mutação das sociedades contribuem para o descrédito da política e dos seus agentes. A transformação da política em meros actos de gestão é uma tendência que tem vindo a generalizar-se. Quem tiver o prazer inefável de ler as “Farpas” de Eça de Queiroz e Ramalho Ortigão percebe a inequívoca crítica feita pelos autores à classe política da época – parte deste fenómeno de descrédito e de suspeição é, por conseguinte, clássico.

Apesar de todas estas incongruências em volta da classe política, a sua importância é hoje absolutamente indubitável.

Com efeito, num mundo em que já não se consegue discutir a preval…

A Rússia de Putin

Nas últimas semanas o ambiente entre EUA e Rússia, com a Europa no meio, aqueceu atingindo temperaturas até certo ponto preocupantes. A questão da localização do escudo antimísseis veio nos relembrar, uma vez mais, do peso da Rússia. Não foi a primeira vez que tal acontece, já por diversas vezes o Presidente russo fez questão de relembrar à Europa e ao mundo do sua incontornável importância. A Rússia nunca deixou de ser uma potência a nível mundial, pelo menos na perspectiva de muitos russos, designadamente de Vladimir Putin.

A história deste país está repleta de momentos de grandiosidade, desde a Rússia dos Czares até à União Soviética. Com a dissolução desta, a Rússia passou por momentos de maior discrição, nunca deixando, no entanto, de ter uma palavra a dizer sobre uma miríade de assuntos, designadamente sobre questões relativas à sua eterna zona de influência: ex-repúblicas soviéticas.

A Rússia de Putin é um país que procura a todo o custo o seu lugar de preponderância no mundo. E …

Afinal há alternativas à Ota?

A futura construção do novo aeroporto na Ota foi, em particular nos últimos meses, muito controversa. Além do deserto da Margem Sul – factor que inviabilizaria a construção do aeroporto nesta região do país – não se conseguiu compreender a linha de argumentação do Governo. Felizmente a CIP desenvolveu mais estudos sobre esta matéria, apresentando uma nova alternativa à Ota – Alcochete. O Governo está agora aberto à elaboração de um estudo comparativo entre a Ota e Alcochete, a ser desenvolvido pelo LNEC, que permita retirar ilações sobre a melhor localização para o novo aeroporto. Depois de uma análise séria sobre estas duas localizações, a Ota até poderá ser considerada a mais relevante, porém aquilo que o Governo não percebeu é que a generalidade dos portugueses não está a favor desta ou daquela localização, apenas querem ser esclarecidos.

A teimosia do Governo em não aceitar uma comparação entre a Ota e outras alternativas e as imbecilidades proferidas pelo ministro das Obras Públic…