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Mensagens

Iraque: o reconhecimento do erro

A intervenção militar no Iraque nunca foi bem justificada, é certo, porém o argumento impingido pelos americanos que o regime de Saddam Hussein teria armas de destruição maciça foi o suficiente para convencer muitos. O argumento era oneroso, e após os acontecimentos trágicos do 11 de Setembro, tornou-se relativamente fácil demonizar um país governado por um déspota agitador e intransigente. Apesar da posição unilateral adoptada pelos EUA, sem o aval das Nações Unidas, a guerra foi apresentada ao mundo como sendo uma inevitabilidade. Foi vendida ao mundo uma mentira com consequências dramáticas para o país e para a região. Ora, nestas circunstâncias reconhece-se que as falsidades veiculadas pela administração Bush tiveram uma consequência evidente: o erro, ainda que baseado em mentiras, de todos os que não se insurgiram contra esta guerra, acabando por aceitá-la como sendo uma inevitabilidade. A autora deste texto aceitou, não se insurgiu, errou.

A História é rica em episódios que demon…

Portugal e Espanha

O descontentamento de muitos portugueses origina as mais variadas reacções: para alguns o estado de apatia é inevitável, outros escolhem formas mais organizadas de manifestarem o seu estado de insatisfação, aderindo a manifestações contra o actual estado do país, e há ainda aqueles, que já não acreditando no potencial do nosso país, olham para Espanha como um novo oásis, e ambicionam assumidamente ou não uma espécie de casamento de conveniência entre estes dois estados. Todos terão um vasto conjunto de razões para criticar o país, contudo, a solução não passará certamente pela tão ambicionada união com Espanha.
O estado do país é seguramente preocupante, porquanto o retrocesso do bem-estar dos portugueses é uma realidade indelével para muitos cidadãos deste país. A precariedade do emprego, os elevados níveis de desemprego, a perda de poder de compra e o elevado endividamento das famílias são razões suficientes para justificarem um descontentamento generalizado. E mais, a descrença nos …

Lisboa em crise

A situação política em Lisboa atingiu uma gravidade insustentável, nestas condições como é que alguém pode pensar perpetuar a situação de crise política em Lisboa mantendo o actual executivo? O ainda presidente da câmara de Lisboa não soube lidar com o facto de passar a ser mais um autarca arguido. Com efeito, o autarca não percebeu que ao fugir das perguntas dos jornalistas, está também a fugir às interrogações dos lisboetas. Mais do que ser constituído arguido, o problema reside na gestão destes últimos dias: a visita a uma exposição fora do país, as constantes ausências da câmara municipal, a imagem de um autarca que se esquiva às perguntas difíceis, um autarca que tem uma visão míope da política, demitindo-se de prestar esclarecimentos aos cidadãos da capital. Não será com uma conferência de imprensa que a sua imagem melhorará, isto porque, na verdade, o líder da câmara municipal já ficou com a imagem do autarca em fuga.

A todo este intrincado processo bragaparques que afecta agora…

Emprego precário e a baixa produtividade

O nosso país padece de vários problemas, entre os quais a baixa produtividade comparativamente com outros países europeus. Existe um conjunto de razões que permite justificar essa baixa produtividade: débil formação dos recursos humanos, aplicação de técnicas de gestão absolutamente rudimentares, a ausência de modernização das empresas, etc. Existe, no entanto, uma razão que é, amiúde, obliterada, talvez porque para anular essa razão teríamos de perpetrar profundas alterações na nossa mentalidade. Essa possível justificação está intimamente relacionada com a forma como os recursos humanos são geridos, e indissociavelmente, com as relações entre patrões e os seus funcionários.
Infelizmente, o mercado de trabalho caracteriza-se por uma exiguidade que não permite à grande maioria dos trabalhadores uma verdadeira flexibilidade – ou seja, os trabalhadores são reféns de uma conjuntura que lhes é manifestamente desfavorável. Por conseguinte, em muitos contextos, é exigido tudo ao trabalhador,…

Como ser feliz em Portugal

Numa altura em que se fala invariavelmente de descontentamento, de frustração, de resignação, de um povo desiludido, não será má ideia relembrar a forma de se encontrar a felicidade neste nosso país. É evidente que o famigerado clima e as sumptuosas praias não chegam para fazer alguém feliz. A forma de se alcançar um estado de relativa felicidade dependerá de cada um de nós, todavia, a existência de uma profissão bem remunerada e bem cotada aos olhos dos concidadãos cuja visibilidade nos encha de vaidade, o desempenho de um cargo que nos permita alcançar um lugar hierárquico superior é, seguramente, um bom caminho para a tão almejada felicidade.
Mas na prática, o que é que é preciso para se ser feliz em Portugal? Em primeiro lugar, deve apostar-se desde cedo numa carreira política, e para tal, é imperativo a entrada numa “jota” qualquer. A carreira política é, em Portugal, um caminho certo para a felicidade. Em segundo lugar, e depois de iniciada a tal carreira política, é importante f…