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A mostrar mensagens com a etiqueta União Europeia

Europa, que futuro?

Torre de Babel, Pierre Bruegel

Por altura em que se inicia a presidência portuguesa da União Europeia, nunca é demais encetar-se a discussão sobre o futuro da Europa. A presidência portuguesa da UE pode ser histórica, na medida em que pode ser durante esta presidência que se concluam as decisões em torno do novo tratado da UE. É também neste momento que discute a pertinência de um possível referendo sobre o mesmo tratado. É consensual que a Europa atravessa uma crise, apesar dos diferendos entre Estados-membros terem sido mais ou menos ultrapassados. Em tais circunstâncias muitos cidadãos europeus questionam-se sobre o futuro de uma Europa caracterizada pelas divergências, ao invés de o ser pelas convergências.

Na verdade, a tecnocracia e afastamento dos políticos em relação às ambições dos seus cidadãos são caminhos que podem comprometer o futuro europeu. Sempre existiu uma clivagem entre os cidadãos e as instituições europeias, infelizmente essa clivagem parece conhecer agora um séri…

Finalmente há acordo

Foram ultrapassadas as diferenças entre Polónia, Reino Unido e restantes países europeus. As negociações, na cimeira europeia, para o novo tratado – sucessor da rejeitada Constituição europeia – chegaram assim a um desfecho positivo, finalmente há acordo. As negociações para este tratado ou mini-tratado, como alguns preferem chamar, veio pôr a nu o velho aforismo europeu: os interesses nacionais prevalecem invariavelmente em detrimento do interesse comum de construir uma União Europeia forte. Tudo isto à revelia dos cidadãos europeus.


De facto, o diferendo entre Alemanha e Polónia que parecia ter caído num impasse foi, apesar de tudo, ultrapassado. Na verdade, a invocação do passado difícil destes dois países é sintomática das inconstâncias de uma UE excessivamente alargada. A utilização do passado de invasor (Alemanha nazi) e de invadido (Polónia) denota que a Europa, não obstante a sua génese, ainda terá que lidar com as cicatrizes que marcam a História do velho continente. Ora, se a…

Palestina, uma oportunidade para a paz?

A Palestina, já aqui se escreveu, encontra-se dividida: de um lado, Gaza, controlada pelo Hamas, de outro, a Cisjordânia controlada pela Fatah do presidente da Autoridade Palestiniana Mahmoud Abbas. Parece existir intenções por parte dos EUA e de Israel de isolarem Gaza e o Hamas com o objectivo de enfraquecer inexoravelmente o Hamas – considerado grupo terrorista pelos EUA e por Israel. O apoio incondicional da comunidade internacional, designadamente EUA, UE, e Rússia, à Autoridade Palestiniana consubstancia-se num apoio de natureza política, mas também financeira. Percebe-se que a estratégia de enfraquecer o Hamas passa pelo fortalecimento da Autoridade Palestiniana.
Esta estratégia concertada entre EUA e Israel acarreta os seus riscos, em particular no que diz respeito à não tão remota possibilidade de Gaza se transformar num reduto de terroristas alimentado pelo mais feroz radicalismo de índole islâmica. A oportunidade de paz terá de se traduzir num isolamento do Hamas, na liberta…

A Rússia de Putin

Nas últimas semanas o ambiente entre EUA e Rússia, com a Europa no meio, aqueceu atingindo temperaturas até certo ponto preocupantes. A questão da localização do escudo antimísseis veio nos relembrar, uma vez mais, do peso da Rússia. Não foi a primeira vez que tal acontece, já por diversas vezes o Presidente russo fez questão de relembrar à Europa e ao mundo do sua incontornável importância. A Rússia nunca deixou de ser uma potência a nível mundial, pelo menos na perspectiva de muitos russos, designadamente de Vladimir Putin.

A história deste país está repleta de momentos de grandiosidade, desde a Rússia dos Czares até à União Soviética. Com a dissolução desta, a Rússia passou por momentos de maior discrição, nunca deixando, no entanto, de ter uma palavra a dizer sobre uma miríade de assuntos, designadamente sobre questões relativas à sua eterna zona de influência: ex-repúblicas soviéticas.

A Rússia de Putin é um país que procura a todo o custo o seu lugar de preponderância no mundo. E …

Globalização: os efeitos perversos

A globalização, fenómeno incontornável dos nossos dias, só foi possível graças à rápida evolução tecnológica, designadamente na área da informática. Teoricamente, pensar-se-á nas inúmeras oportunidades que são proporcionadas pela abertura dos mercados e o pelo fim anunciado do proteccionismo – para muitos a panaceia para grande parte dos constrangimentos das trocas comerciais. Infelizmente, os efeitos perversos de uma globalização desregulada começam a ser cada vez mais evidentes. O desemprego que grassa um pouco por todo o mundo; o mais do que provável fim do modelo social europeu; as deslocalizações; o “dumping social”; as crescentes assimetrias entre países e o recrudescimento das desigualdades no seio das sociedades ocidentais são efeitos negativos da globalização.

Note-se que a ausência de regras, para além das imbecilidades proferidas por alguns responsáveis de organismos supranacionais, é uma das principais causas do aumento exponencial das desigualdades. Embora se afirme que a …

Flexisegurança

Parece que esta é uma palavra que começa a fazer parte do vocabulário dos portugueses, pelo menos já faz parte efectiva do vocabulário do Governo. A flexisegurança traduz-se numa maior facilidade em contratar e despedir, maior flexibilização de horários e uma maior segurança relativamente ao subsídio de desemprego. A Dinamarca implementou este sistema com sucesso. De qualquer modo, Portugal não é a Dinamarca. O nosso país persiste em manter um défice em matéria de formação dos recursos humanos, a formação profissional, não obstante as benesses de Bruxelas, está muito longe do aceitável, os salários não são comparáveis; já para não referir diferenças culturais entre Portugal e a Dinamarca, diferenças essas quer ao nível dos trabalhadores, quer ao nível dos empresários.
Assim, esta questão da flexisegurança não pode ser olhada com leviandade. Não basta avaliar o sucesso das leis laborais de um determinado país, esquecendo as especificidades do nosso país. Reconhece-se, contudo, a importâ…

União Europeia e europeísmo

O processo de construção europeu está atravessar uma fase de estagnação, o maior óbice é precisamente as dissensões entre Estados-membros, estando na origem dessas dissensões a inexistência de um consenso em torno do futuro tratado europeu. A ausência de uma identidade europeia está na base de discórdias e de cepticismos sobre a UE. Embora os cidadãos dos Estados-membros aceitem, até certo ponto, a integração europeia, na verdade, são poucos os que adoptam e pugnam por uma identidade europeia – ainda são os interesses e egoísmos de cada Estado-membro a dominarem quaisquer negociações. O impasse no processo de construção europeu não é apenas negativo para a Europa no seu conjunto, representa igualmente um péssimo sinal para cada Estado-membro.

Deste modo, é imperativo relembrar os perigos para os Estados-membros decorrentes de uma acelerada globalização: cada Estado-membro tem trilhado, bem ou mal, um caminho no sentido de conseguir fazer face às dificuldades que um mundo aberto e globa…