Avançar para o conteúdo principal

Vozes

Aparentemente o Presidente da República ouve vozes, as mesmas que pediram a demissão do Governo no dia 2 de Março. Não deixa de ser um bom sinal Cavaco Silva ouvir algumas vozes, significa, portanto, que ainda há vida em Belém, quando todos pensávamos exactamente o contrário.
Infelizmente, como é apanágio de Cavaco Silva, essas suas observações são absolutamente inconsequentes.
Recorde-se que a maior vaia do dia 2, em Lisboa, foi precisamente dirigida ao Presidente da República. Cavaco Silva ficará nas páginas negras da República Portuguesa, facto que ainda assim não parece preocupar sobremaneira o Presidente.
As vozes chegaram a Belém, porém Cavaco Silva não sabe o que fazer com as mesmas, não sabe ou não quer. Entretanto destroem-se os pilares da sociedade, enfraquece o que resta da coesão social e da própria democracia. E o Presidente ouve vozes, sublinha a importância dessas mesmas vozes serem ouvidas, mas nada faz. Absolutamente nada.

Comentários

Mensagens populares deste blogue

Sobre os criminosos: Jair Bolsonaro

Odeio uma miúda de 16 anos, e agora?

É digno de registo verificar a quantidade de gente que odeia - o termo é mesmo o mais indicado - uma jovem de 16 anos, de seu nome Greta Thunberg, que tem andado por aí a lutar para que se responda à emergência climática. Se a forma escolhida pela jovem é a mais eficiente, é outra questão, mas mesmo que não o seja, nada justifica a torrente de ódio que por aí grassa. É também caso para se lançar um apelo a quem não só odeia Greta, como não se coíbe de andar pelas redes sociais a destilar esse ódio: façam uma introspecção. Procurem a origem desse ódio: é por se tratar de uma jovem? É por ser uma rapariga? É por ter mais massa cinzenta? É por ter coragem? Coisa que o frustrado de telemóvel na mão é incapaz de compreender, quanto mais e alcançar. Ou é pelo facto de ser uma jovem de uns meros 16 anos a falar a verdade que tanto custa ouvir? Será porque essa verdade, quando aceite, obriga a mudanças radicais? Ou será que a causa é bem mais singela? O ódio a si próprio. Coloquem a questão so…

Não há planeta para a globalização

No seu livro "Down to Earth" Bruno Latour afirma, sem margem para equívocos, que não existe planeta para a globalização, estabelecendo uma relação entre as desigualdades, a desregulação e as questões ambientais num contexto de morte da solidariedade dos mais ricos em relação a todos os outros. De resto, num planeta sem espaço para todos, qual o sentido da solidariedade e num cenário em que não existe um futuro comum qual a razão dessa solidariedade, quando o que interessa é sobreviver?  Latour refere a Cimeira de Paris, em 2015, como ponto de viragem. Nessa cimeira, as várias lideranças políticas ter-se-ão apercebido de que modernidade com quem sempre sonharam não passará de um mero sonho. Não há planeta para a globalização.  O filósofo, antropólogo e sociólogo defende a necessidade de repensarmos conceitos como a modernidade, as fronteiras, o global e o local, referindo igualmente a necessidade de se dar início a novos planos para habitar a terra. Este e outros pontos de parti…